Artigo 14 – A obra do Espírito Santo no pecador


Textos para estudo: Jo. 3: 1-8 e 16: 1-5.

Texto áureo: Quando ele vier convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Jo. 16: 8.

Leituras Diárias:
Seg – Jo. 14.16-26;
Ter – Jo. 1: 12, 13;
Qua – Jo. 16: 7-15;
Qui – Rm. 8: 16, 17;
Sex – Gl. 3: 26;
Sáb – Ef. 6: 17;
Dom – Jo. 3: 1-8;
Objetivos da Lição:

  1. Explanar aos alunos o artigo 14 da Breve Exposição;
  2. Identificar a obra específica do Espírito Santo na salvação do pecador;
  3. Destacar o uso que o Espírito faz da palavra de Deus em sua tarefa de convencer;
  4. Enfatizar a eternidade da obra do Espírito.
Artigo 14: O Espírito Santo enviado pelo Pai e pelo Filho usando das palavras de Deus, convence o pecador dos seus pecados e da sua ruína, mostra-lhe a excelência do Salvador, move-o a arrepender-se, a aceitar e a confiar em Jesus Cristo. Assim produz a grande mudança espiritual chamada “nascer de Deus”. O pecador nascido de Deus está desde já perdoado, justificado e salvo;  tem a vida eterna e goza das bênçãos da salvação.
O artigo 14 traz uma declaração sobre o trabalho do Espírito Santo no pecador. Antes, entretanto, indica a verdade acerca da precedência do Espírito.
1. O Pai e o Filho enviam o Espírito
Toda a Trindade divina é interessada e envolvida na salvação do homem. O Pai é o autor do plano, traçado antes da fundação do mundo; o Filho é o executor do plano, realizado na cruz do Calvário; o Espírito é o aplicador do plano no coração do pecador, induzindo-o a aceitá-LO e transformando-o, pelo novo nascimento, para realmente se beneficiar dele. O Pai justifica o pecador; o Filho salva o pecador; e o Espírito convence e guia o pecador, santifica-o separa-o para Deus. O Filho foi enviado pelo Pai; o Espírito foi enviado pelo Pai e pelo Filho, para cumprir seu papel no plano de salvação (Jo. 14: 16, 26; 15: 26; 16: 7). Se ninguém conhece o Pai a não ser através do filho, também ninguém chega a conhecer o Filho senão através do Espírito.
2. O Espírito convence o pecador
 
Em sua ação para convencer e regenerar o pecador, o Espírito Santo se utiliza da palavra de Deus. Ela é o instrumento eficaz para atingir a mente e o coração humano. É a “espada Espírito” (Ef. 6: 17; 1 Pe. 1: 23). A palavra tem, pois, o papel preponderante na salvação do pecador.
O Espirito realiza um ministério especial, na intimidade do coração e da consciência do pecador. Seu objetivo é convencer o homem de três verdades: do pecado, da justiça e do juízo (Jo. 16: 8).
2.1 Convence do pecado
 
“Do pecado”, diz Jesus, “porque não creem em mim” (Jo. 16: 9). O pecado supremo, o maior pecado, é não crer, não considerar como verdade aquilo que tem sido revelado e mostrado por Deus na pessoa e obra de Jesus (At. 4: 12) A primeira missão do Espirito é convencê-lo da realidade e da extensão do seu pecado, levando-o a aceitar a mediação de Jesus. Junto do homem pecador, o Espírito procura convencê-lo para a fé, esclarecendo-o do seu pecado.
2.2 Convence da justiça
O Espirito revela a justiça que há em Cristo, que foi crucificado como um malfeitor. O Espírito mostra qual a autêntica natureza da justiça que se manifesta na pessoa de Jesus Cristo. Ele foi justo, na verdadeira acepção da palavra. Daí a Sua elevação às alturas ter sido a maior prova de Sua retidão; Deus o recebeu, aceitando o sacrifício da cruz. Por isso diz o Mestre, predizendo sobre sua subida aos Céus: “…da justiça, porque vou para o Pai”.
2.3 Convence do juízo
“Do juízo”, conclui o Senhor, “porque o príncipe deste mundo já está Julgado” (Jo. 16: 11). O Espírito Santo não apenas convence quanto ao valor da obra da salvação efetuada por Cristo, quando a sua necessidade e legitimidade, mas também quanto a sua eficiência. É uma obra perfeita. Na cruz, o pecado foi coberto para aqueles que O aceitam e são, por isso, livres de qualquer juízo futuro, pois o príncipe deste mundo, Satanás, já foi ali julgado. Mesmo que, o príncipe deste mundo, seu poder ainda de muito perto ameace e angustie os salvos, no entanto o seu fim já está decidido e ele, por mais que procure, não poderá comprometer, de modo final, os resultados seguros da cruz (Cl. 1: 13, 14; 1 Jo. 5: 18).
3. O Espírito Santo regenera o pecador
Em primeiro lugar, a regeneração é um ato instantâneo, e não um processo gradual. A preparação pode ser gradual. As influências que conduzem ao resultado podem vir dc várias fontes e continuar por muitos anos. Isso quer dizer que a ação de Deus ao abençoar o homem segue as linhas da lei natural até onde é possível. A graça de Deus busca o homem muito tempo antes de o homem responder a ela. Mas chega o momento em que a vontade se submete e a tendência moral é mudada. O centro de gravidade moral da alma se muda para outro ponto inteiramente distinto.
Em segundo lugar, ao dar ênfase à instrumentalidade da verdade na regeneração do pecador, não se pode pensar em uma verdade abstrata, à parte de Jesus Cristo. É a verdade como está em Cristo. O Espírito Santo tem como tarefa especial nos dar a conhecer as coisas do Filho. Toda verdade apresentada pelo Espírito é a que se acha concentrada em Cristo, posto que Ele é, em Sua própria pessoa, o evangelho de nossa salvação.
Em terceiro lugar, na regeneração o poder se manifesta em nós pela atividade das faculdades morais e espirituais. Como já temos visto, a fé e o arrependimento são condições da regeneração. Nenhum homem incrédulo ou impenitente está regenerado. Todo aquele que passou pela experiência do novo nascimento é um crente arrependido.
4. Os resultados do novo nascimento
O pecador regenerado está perdoado, justificado, tem a vida eterna e goza das bênçãos da salvação.
4.1 Está perdoado
Deus concede perdão completo a todo aquele que recebe Jesus como salvador (Is. 43: 25; Rm. 8: 1). O crente regenerado passa da condição de escravo para a de filho: “E, porque vós sois filhos, enviou Deus aos nossos corações o Espírito de seu filho, que clama: Aba Pai. De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus” (Gl. 4: 6, 7).
O ato da adoção é acompanhado do ato da regeneração. O mesmo Espírito que regenera nos torna filhos em Cristo. Passamos a ter a natureza de filhos, assim como a desfrutar da relação de filhos. Algumas características distintivas dos filhos:
  • a) Possuem o caráter moral do Pai (Mt. 5: 48);
  • b) Confiam em Deus (Mt. 6: 25-34);
  • c) Obedecem a Deus (Mt. 7: 24; 12: 50);
  • d) Imitam a Deus (Ef. 5: 1, 20);
  • e) Amam a Deus (Mt. 22: 37; Lc. 10: 27).
4.2 Está justificado
Isto é, foi declarado justo diante de Deus, devido a obra vicária de Jesus Cristo (Rm. 5: 1, 2). A justificação é um ato judicial, no qual Deus declara que o pecador está livre da condenação, e o restaura o favor divino. Verifica-se quando o pecador confia em Cristo e em Seus métodos, para obter a salvação.
4.3 Tem vida eterna
Além de toda garantia que Deus nos dá, através da presença do Espírito Santo em nós, a bíblia nos apresenta outras provas da certeza que o crente deve possuir, quanto a salvação. Cristo assegura que a salvação é adquirida por todo o que ouve a palavra e crê (Jo. 5: 24; 6: 47). Há também a informação, dada pelo apóstolo João, de que o crente deve estar certo de que tem a vida eterna (1 Jo. 5: 12, 13).
4.4 Goza das bênçãos da salvação
Estas bênçãos decorrentes da salvação, conferidas aos filhos de Deus, são multas. Algumas delas:
  • a) Recebem o Espírito e vivem na intimidade com o Pai (Rm. 8: 15);
  • b) O Espírito ensina a orar (Rm. 8: 26, 27);
  • c) São feitos participantes da natureza divina (2 Pe. 1: 4);
  • d) A santidade de Deus, o Pai, é reproduzida neles (Hb. 12: 10);
  • e) Recebem o perdão dos pecados (Mt. 6: 12);
  • f)  Desfrutam de um cuidado especial do Pai (Mt. 6: 33);
  • g) Têm a promessa de que o pai e o Filho moram nele (Jo. 14: 23);
  • h) O reino eterno lhes é dado por herança (Mt. 25: 34);
  • i)  Um lugar na casa do Pai lhes é prometido (Jo. 14: 3); e
  • j) São herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo (Rm. 8: 17).
Conclusão
Nesta lição conhecemos o artigo 14º dos 28 artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo. Aprendemos sobre a Obra do Espírito Santo na vida do pecador. Vimos as bênçãos resultantes desta maravilhosa Obra. Agradeça agora porque você foi alcançado! Pense nos seus privilégios. Interceda por seus familiares, vizinhos, e pessoas do seu convívio para que você seja um instrumento nas mãos do Espírito para a salvação de pecadores. Ore pelos povos não alcançados: indígenas brasileiros, muçulmanos, ateístas, etc.

As lições desta série foram publicadas primeiramente em 1966 e republicadas em 1986 pelo Departamento de Educação da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil como parte da revista de escola bíblica dominical. Todos os direitos são reservados à UIECB (União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil).

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