Artigo 16 – Um só mediador


Textos para estudo: Romanos 3: 21-26 e 1 Timóteo 2: 5

 

Texto áureo:  “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Timóteo 2: 5).

 

Leituras diárias:

Seg- 1 Timóteo 2: 1-7

Ter – Hebreus 4: 1-16

Qua – Hebreus 9: 1-10

Qui – Hebreus 9: 11-22

Sex – Romanos 3: 1-8

Sáb – Romanos 3: 9-20

Dom -Romanos 3: 21-26

 

Objetivos da lição:

  1. Tornar conhecido dos alunos o Artigo 16 da breve exposição;
  2. Examinar os argumentos a favor de um único mediador;
  3. Analisar os modos como essa mensagem de um único mediador tem sido entregue aos homens através dos tempos; e
  4. Enfatizar a exclusividade da salvação em Cristo Jesus, enquanto o homem vive neste mundo.

 

Artigo 16: Para  os que  morrem  sem  aproveitar-se  desta  salvação,  não existe  no porvir  além  da morte  um  raio de esperança.  Deus  não  deparou  remédio  para  os que,  até  o fim  da vida  neste  mundo,  perseveram  nos  seus pecados.  Perdem-se.  Jamais  terão  alívio.

 

Quando, em comentário anterior, consideramos a pessoa de Cristo, vimos que Ele estava qualificado para realizar a obra de mediação entre Deus e o homem. Sendo “Deus homem”, reunia condições de fazer perfeita aproximação entre a criatura e o Criador, e por isso cumpriu o plano de redenção. O Artigo que ora consideramos mostra que não há outra esperança de salvação além daquela que o Senhor nos oferece em Cristo, e afirma a nossa crença de que, após a morte fisica, a pessoa não tem nenhuma chance de ser salva.

 

1. O único mediador

A salvação é aqui oferecida a todos os homens. Quem não a recebe, endurece o seu coração (2 Co. 7: 12) e resiste ao Espirito Santo (At. 7: 51). Deste modo perde, para sempre, a esperança da salvação. Jesus afirmou que quem crer será salvo; quem, porém, não crer será condenado (Mc. 16: 16). Aquele que rejeita esta salvação menospreza a mediação que é feita por Cristo Jesus: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” ( 1 Tm. 2: 5).

 

Essa verdade de que Jesus é o único Mediador, pode ser confirmada à luz de vários argumentos, dos quais podemos selecionar os seguintes:

 

1.1. Argumento baseado na natureza “divino humana” de Jesus

Jesus foi a única pessoa qualificada para essa mediação. Sua natureza “divino humana” permitia-Lhe a livre aproximação do Pai e do homem. A natureza divina Lhe era inerente (Jo. 1: 1; Fp. 2: 6); a humana foi adquirida por Ele, no ato da encarnação (Jo. 1: 14: Fp. 2: 7, 8).

 

1.2. Argumento baseado nas declarações das Escrituras

Seguindo o ensino bíblico, desde Gênesis ao Apocalipse, veremos que toda a promessa e toda a esperança de redenção estão centralizadas na obra propiciatória de Cristo. O Antigo Testamento, com seus sacrifícios, aponta para o sacrifício perfeito do Calvário, do qual, como nos ensina a epístola aos Hebreus, todos os demais não eram senão sombra e tipificação (Hb. 9: 6-15; 10: 1-18). A lição dos Evangelhos, desde a mensagem de João (Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo Jo. 1: 29) até as declarações mais diretas de Jesus, com todos os testemunhos de que foram seguidas, apontam-no como o único que Deus escolheu para oferecer o preço de nossa redenção, manifestando-nos Seu grande amor (Jo. 3: 16; Rm. 5: 8).

 

Os escritos dos apóstolos e discípulos mantém a mesma mensagem. Nenhum deles jamais, nos seus ensinos, recomendou qualquer outra esperança para a salvação, senão a fé no Filho de Deus. Vejam-se as seguintes referências: João 1: 8-14; 3: 16-18; 5: 30-39; 8: 21-24; 14: 1-6; Atos 4: 10-12; 17: 30, 31; Romanos 3: 21-25; 4: 23-25; 5: 1; 2 Coríntios 5: 18- 21; Filipenses 2: 5-11; 1 Timóteo 2: 5, 6; Hebreus 7: 25; 9: 14, 15; 10: 9-14; 1 Pedro 1: 17-25; e Apocalipse 5: 1-6.

 

1.3. Argumento baseado na lógica

A lógica e o bom senso nos indicam que se houvesse outro meio de salvação, certamente Deus teria poupado a Seu Filho a humilhação e os sofrimentos que representaram o Seu ministério. No entanto, foi absolutamente necessário que Jesus morresse na cruz. Não somente Ele ensinou que tinha vindo para dar a Sua vida em resgate de muitos (Mt. 20: 28), mas que isso era conveniente, isto é, fundamentalmente necessário. Pedro foi severamente repreendido quando não entendeu esse ensino: Arreda! Satanás, tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das cousas de Deus, e, sim, das dos homens (Mt. 16: 21-23). Nesta ocasião, embora quisesse demonstrar sua amizade a Jesus, o apóstolo expressava-se contra o plano de redenção de Deus, que Satanás não queria ver cumprido.

 

2. Não há outra oportunidade

“Deus não deparou remédio para os que, até o fim da vida neste mundo, perseveram nos seus pecados. Perdem-se. Jamais terão alívio”, é o que ensina o Artigo.

 

No texto de Lucas 16.25,26, o próprio Jesus elimina toda a possibilidade de existência de salvação após a morte: “pois os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós”. Não há mesmo remédio para os que, até o fim da vida neste mundo, perseveram nos seus pecados, conforme afirma o Artigo. Destacamos abaixo duas linhas de pensamento, sem fundamento bíblico consistente, que salientam a possibilidade de salvação após a morte. São elas:

 

2.1 – A Doutrina do Purgatório

“Purgatório” é o lugar para os batizados, parcialmente santificados que cometeram pecados veniais, onde sofrem apenas o castigo do fogo para purgar os seus pecados. De acordo com a doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana, todos os adultos não batizados e os que cometeram pecado mortal, morrendo sem estarem reconciliados com a Igreja, vão imediatamente para o inferno ao morrerem. As almas dos que são perfeitamente puros, por ocasião da morte, são imediatamente admitidas no céu. As demais, porém, vão para o purgatório que é um lugar de purificação e de preparação para as almas dos crentes que têm a segurança de uma entrada final no céu, mas ainda não estão prontas para apossar-se da felicidade da visão beatífica. Durante a estada dessas almas no purgatório, elas sofrem a dor da perda, isto é, a angústia resultante do fato de que estão excluídas da bendita visão de Deus, e também padecem o castigo dos sentidos, isto é, sofrem dores positivas, que afligem a alma.

 

A duração e intensidade do purgatório dependem da impureza do indivíduo. As almas que lá estão podem ter seu sofrimento aliviado e o tempo da estada diminuído, mediante orações, trabalhos e penitências, oferecidos por parentes e amigos na terra. Às autoridades eclesiásticas cabe determinar o castigo, usando as chaves que foram dadas a Pedro.

 

Os católicos romanos buscam apoio para esta doutrina principalmente no livro apócrifo de Macabeus 12: 42-45. Também supõem que certas passagens bíblicas favorecem sua doutrina (Is. 4: 4; Ml. 3: 2, 3; 1 Co. 3: 13-15). Vale conferir e constatar que são passagens fora do seu contexto.

 

Charies Hodge conclui sua exposição sobre esta doutrina romanista, dizendo:

 

  • Que ela carece de todo apoio bíblico;
  • Que se opõe às doutrinas mais claramente reveladas e mais importantes da Bíblia;
  • Que os abusos aos quais tem conduzido, e que são suas inevitáveis consequências, demonstram que a doutrina não pode ser de Deus;
  • Que o poder de perdoar pecados, no sentido pretendido pelos romanistas, e que está pressuposto em sua doutrina do purgatório, não tem apoio nas palavras de Cristo.

 

2.2 – A Doutrina da Reencarnação

A doutrina da reencarnação admite que a alma, depois da morte, volta à vida corporal, mas ocupando outro corpo, formado para ela, que nada tem em comum com o anterior. É um acontecimento que se dá repetidas vezes, até que alma se una a Deus, tornando-se uma só substância com Ele. Vê-se que o espiritismo nega a realidade de um Deus pessoal, baseando seus ensinos em uma visão monista, mística e ocultista.

 

As Escrituras negam a reencarnação. Essa pluralidade de existências com um só espírito não encontra apoio em um só texto e não se pode confundir com ressurreição. Ressurgir dos mortos é o reencontro da alma com o mesmo corpo em que habitava, antes da morte física.

 

O espiritismo nega a existência do inferno, considerando-o uma ideia originada do pensamento oriental, em tempos bárbaros. Contraria, assim, as Escrituras, quando afirma que o “inferno foi preparado para o diabo e seus anjos” e que será a morada eterna dos perversos (Mt. 25: 41).

 

Além de todas as evidências do consenso das Escrituras contra o reencarnacionismo, um texto bíblico, em especial, pode ser colocado como fundamento à recusa dos cristãos a essa doutrina: …aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disto, o juízo (Hb. 9: 27).

 

Conclusão

Vimos que a Bíblia salienta que não haverá uma segunda chance de salvação após a morte. Cabe ao homem urgentemente arrepender-se dos seus pecados e abrir o coração para Cristo. Ore para que o Espírito Santo abra os olhos daqueles que estão no engano e venham a crer na verdade.

 


 

As lições desta série foram publicadas primeiramente em 1966 e republicadas em 1986 pelo Departamento de Educação da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil como parte da revista de escola bíblica dominical. Todos os direitos são reservados à UIECB (União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil).

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