Artigo 17 – O Espírito Santo e o crente


Textos para estudo: João 14: 16, 17 e 16: 12-15.

 

Texto áureo: Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio (Gl. 5: 22, 23)

 

Leituras diárias:

 

Seg. – João 14: 1-17;

Ter. – João 16: 12-15;

Qua. – 2 Coríntios 3: 18;

Qui. – Gálatas 5: 16-26;

Sex. – Romanos 8: 1-17;

Sáb. – Efésios 1: 3-14;

Dom. – João 3: 1-21 e Atos 1: 1-14

 

Objetivos da lição:

  1. Tornar conhecido dos alunos o Artigo 17 da breve exposição;
  2. Conscientizar o crente de que já foi batizado com o Espírito Santo; que o Espírito habita nele desde o momento da sua conversão a Cristo;
  3. Demonstrar, à luz da bíblia, como o Espírito realiza a obra no crente; e
  4. Incentivar o crente a permitir a livre operação do Espírito na vida, para produzir o fruto do Espírito.

 

Artigo 17: O Espírito  Santo  continua  a habitar  e operar  naqueles  que faz nascer  de Deus, esclarece-lhes  a mente mais e mais com as verdades  divinas,  eleva e purifica-lhes  as afeições,  adiantando  neles a  semelhança de Jesus. Estas são evidências  de que passaram  da morte para a vida, e que são de  Cristo.

 

Ao considerar o Artigo 14, abordamos a operação do Espírito Santo junto ao descrente. Sua função é convencer do pecado, da justiça e do juízo, levando o homem a reconhecer Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador, e ao mesmo tempo operar nele o novo nascimento ou a obra de regeneração. O Artigo 17 trata do relacionamento do Espirito com o homem nascido de novo.

 

Assim como ninguém pode nascer de novo independente do ministério do Espírito Santo, nenhum crente pode ser sustentado na nova vida sem a ação sobrenatural deste mesmo Espírito. A vida cristã está fundamentalmente ligada ao Seu ministério.

 

1. Todo crente tem o Espírito Santo, que habita nele

Jesus nos fez uma promessa e uma afirmação: E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós (Jo. 14: 16, 17). Analisemos primeiro a promessa contida neste texto, que é a da vinda do outro Consolador, o Espírito.

 

1.1 – O cumprimento da promessa

Esta promessa já se cumpriu no dia de Pentecostes, uma festa judaica, realizada em Jerusalém, que acontecia no quinquagésimo dia após a Festa da Páscoa (Lv. 23: 15-21). A descida do Espírito Santo se deu naquela festa, que ocorreu após a Páscoa que Cristo celebrara com os Seus discípulos, e a sua ascensão (At. 2: 1-41).

 

1.2 – O batismo com o Espírito Santo

A experiência inicial do crente com o Espírito Santo é o batismo espiritual, que se dá quando ele crê em Cristo (At. 2: 38; 10: 47; Ef. 1: 13,14). É oportuno lembrar o que significa batismo. Há três termos que traduzem o sentido primário da palavra “batismo”: iniciação, introdução e identificação.

 

  • a) Iniciação – O batismo com água é o ritual público que marca a iniciação do crente na fé cristã. Só é submetido ao batismo com água aquele que, tendo confessado Jesus Cristo como Senhor e Salvador. O batismo com água é o símbolo, enquanto o batismo com o Espírito é a realidade.
  • b) Introdução – Não pode ser outro o sentido de batismo, em 1 Coríntios 12: 13. Ser batizado no Corpo de Cristo significa ser introduzido neste Corpo ou passar a fazer parte dele.
  • c) Identificação – Esse é o sentido contido em 1 Corintios 10: 2, quando Paulo diz que os judeus foram “todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés”. Os israelitas que participaram do êxodo haviam se identificado com o seu líder, na experiência de serem protegidos pela nuvem e de atravessarem a pé enxuto o Mar Vermelho (cf. Ex. 13: 21, 22; 14: 22-29). E o próprio apóstolo experimentava tão intensamente esta identificação com Cristo, que podia se expressar, dizendo: Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim (Gl. 2:20).

 

 

2. O Espírito continua a operar no crente

A presença do Espírito em nós não é inativa. Além de habitar, o Espírito continua a operar. Duas ações do Espírito se destacam aqui:

 

2.1-Confortar – João 14: 16; 16: 7

O Espírito é o outro Consolador prometido. No grego, consolador é Parácleto, palavra que também pode ser traduzida por Ajudador ou Advogado. O termo é formado de um prefixo (para) e da raiz do verbo kalein, que juntos significam “alguém chamado para o lado de”. O Espírito está ao lado do crente em momentos de provação para o defender, ao mesmo tempo em que opera para prover forças para a batalha.

 

2.2 – Ensinar e iluminar – João 16: 13; 14: 26

Prometeu Jesus aos Seus discípulos: Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará as causas que hão de vir (Jo. 16: 13, Jo. 14: 26). De fato, os discípulos do Mestre foram “guiados a toda a verdade”, pois no-la transmitiram através das Escrituras. Porém, todos os filhos de Deus são guiados pelo Espírito de Deus (Rm. 8: 14). O Espírito nos faz compreender os planos e a Palavra divina. Só mediante a ação do Espírito em nós somos capazes de trilhar por caminhos que agradam a Deus. Esta função pedagógica do Espírito chama-se iluminação. A capacidade para entender espiritualmente as coisas de Deus nos é dada pelo Espírito (1 Co. 2:12). O próprio Jesus havia reconhecido que muita coisa Ele tinha a ensinar, ainda nos dias da sua carne, mas os Seus discípulos não poderiam compreender (Jo. 16: 12); só o Espírito, quando lhes fosse dado, poderia fazê-los entender (Jo. 16: 13).

 

 

3. O Espírito torna o crente semelhante a Cristo

É o Espírito que desenvolve em nós a semelhança de Cristo. Este é um propósito de Deus para a nossa vida. Ele deseja fazer-nos semelhantes ao Filho. (Ef. 4: 13). Tornar-se semelhante a Cristo não significa perder a personalidade. Deus não destrói em nós aquilo que criou. O que Ele deseja é o aperfeiçoamento do nosso caráter, afetado pelo pecado, e não a alteração da nossa personalidade.

 

O modelo de caráter desejável se encontra nas bem aventuranças de Jesus (Mt. 5: 1-12), no fruto do Espírito (Gl. 5: 22, 23), no ensinamento sobre o amor (1 Co. 13) e nas qualidades de uma vida produtiva e eficiente (2 Pe. 1: 5-8). Devemos estar sempre lembrados de que, na terra. Deus nos prepara para a eternidade. Isso nos ajuda a viver na Sua perspectiva de nos tornar semelhantes ao Filho.

 

Deus nos deu o Espírito. Em nós Ele trabalha para produzir o caráter de Cristo (2 Co. 3: 18). Não podemos reproduzi-la pelos nossos próprios esforços, pois somente o Espírito tem o poder de operar as transformações que Deus deseja em nossa vida (Fp. 2: 13). Mas compete-nos cooperar com o trabalho do Espírito Santo. No entanto, esse empenho não tem nada a ver com a salvação, mas está relacionado ao crescimento espiritual. Recebemos a ordem para nos esforçarmos, a fim de nos tornarmos semelhantes a Jesus (Lc. 13: 24; Ef. 4: 3; 2 Tm. 2: 15; Hb. 4: 11; 12: 14; 2 Pe. 1: 5; 3: 14).

 

 

Conclusão

A evidência de que vivemos uma nova condição de vida em Cristo, não é teórica, é prática. Consta esta declaração no Artigo 17:”… estes frutos do Espirito são provas de que passaram da morte para a vida e que são de Cristo”. Pode-se entender, dela, que a compreensão das verdades divinas, compartilhada com outros, a santificação e a semelhança de Cristo manifestada pelo crente em sua vida diária são um testemunho inquestionável de que é salvo e pertence realmente a Cristo. Jesus recomendou: Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus (Mt. 5: 16). E quando instruiu os discípulos sobre a vida no Reino, disse-lhes: Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis (Mt. 7: 20). Que este fruto possa ser visto em nossas vidas!

 


 

As lições desta série foram publicadas primeiramente em 1966 e republicadas em 1986 pelo Departamento de Educação da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil como parte da revista de escola bíblica dominical. Todos os direitos são reservados à UIECB (União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil).

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