Artigo 18 – O poder de serviço e testemunho


Textos para estudo: João 15: 1-9

Texto áureoPermaneça em mim e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira; assim nem vós podeis dar, se não permanecerdes em mim (Jo. 15: 4).

Leituras diárias:

Seg. – Efésios 5: 29, 30;

Ter. – João 15: 1-9;

Qua. – 1 Coríntios 12: 1-11;

Qui. – 1 Coríntios 12: 12-31;

Sex. – 1 Coríntios 13: 1-13

Sab, – 1 Coríntios 6: 20; 10: 31;

Dom. – Romanos 12: 3-8.

Objetivos da lição:

  1. Apresentar aos alunos o Artigo 18 da breve exposição;
  2. Levar o aluno a entender o sentido da união vital do crente com Cristo, de onde advém o poder de serviço e testemunho;
  3. Considerar os textos bíblicos que apresentam algumas figuras dessa união; e
  4. Conscientizar o crente de sua posição de servo, responsável pelo serviço à igreja a ao mundo.

Artigo 18: Aqueles que têm o Espirito de Cristo estão unidos com Cristo e, como membros do Seu corpo, recebem a capacidade de servi-lo. Usando desta capacidade procuram viver, e realmente vivem, para a glória de Deus seu Salvador.

O Artigo 18 continua o artigo anterior. O crente tem o Espírito, que o une vitalmente a Cristo e lhe concede poder para o serviço e o testemunho cristãos. A obra do Espírito no crente antecede momento da sua conversão e se estende até o fim da vida terrena.

1. A união vital entre o crente e Cristo

 

A união do crente com Cristo se expressa claramente no Evangelho e nas epístolas de João e de Paulo. Em João 14: 20, se usam as frases “eu em vós” e “vós em mim”. Em 14: 23, Cristo declara que Ele e o Pai virão e farão morada no coração obediente. Em 1 João 2: 6 se declara que se alguém diz que permanece nEle, esse deve também andar assim como Ele andou.

Cristo é o fundamento ou a pedra angular, e os crentes são edificados sobre Ele. Em Colossenses 2: 6, 7, a figura da pedra fundamental está combinada com a das raízes de uma árvore. Os cristãos devem “andar” nEle, “arraigados” e “edificados” nEle. Em Efésios 2: 20-22 Cristo é a pedra angular, e os cristãos são um templo santo, no qual Deus habita, pelo Seu Espirito.

Dentre as muitas figuras usadas para descrever esta relação, destacamos:

1.1 – A figura da videira

Como a videira verdadeira, Jesus é a fonte real de vida (Jo. 15: 4). A figura da vinha, para ilustrar o trabalho da formação do povo, já era familiar aos judeus (SI. 80: 8-19; Is. 5: 1-10; Jr. 12: 10). O Senhor retoma a figura para demonstrar a dependência existente entre Ele e os seus seguidores. O pensamento central do ensino do Mestre é que nenhuma vara tem vida se não estiver bebendo da videira; nenhum homem pode possuir vida espiritual se não estiver recebendo essa vida através de Cristo. E o testemunho da vida que corre nas varas são os frutos que ela produz. Pela Palavra de Cristo, os crentes são cuidados para que dêem mais frutos. Os crentes são os ramos, que recebem vida dEle. Frequentemente serão limpos e tornados mais frutíferos (Jo. 15: 2). A permanência está relacionada à obediência aos mandamentos (Jo. 15: 10; 1 Jo. 3: 24).

1.2 A figura do Corpo

Cristo é a cabeça do corpo espiritual, do qual os cristãos são membros. Há uma vida que é comum à cabeça e aos membros. Assim como os membros estão sujeitos à cabeça no corpo físico, assim os cristãos estão sujeitos a Cristo, sua cabeça espiritual. Os cristãos são um entre si, por serem um em Cristo (1 Co. 6: 15-19; Ef. 1: 22, 23; 4: 15; 5: 29, 30, etc). E como os membros estão sujeitos à cabeça, de onde lhes vêm os estímulos para os movimentos e onde residem os impulsos nobres da personalidade, assim é de Cristo que os crentes recebem orientação.

2. A capacidade para servir

“… como membros do Seu corpo, recebemos a capacidade de servi-lo”.

A fim de que possam servir ao Senhor, os crentes recebem dons, que são a capacitação para a realização dos diversos ministérios na igreja. Há quatro principais listas de dons espirituais na Bíblia: 1 Coríntios 12: 8-11; Romanos 12: 6-8; Efésios 4: 11 e 1 Pedro 4: 7-11.

A Bíblia ensina que cada pessoa redimida recebeu pelo menos 1 Dom do Espírito Santo (1 Co. 12: 4, 7). Nós somos responsáveis diante de Deus pela maneira com que usamos nossos dons.

O apóstolo Paulo compara a igreja aos nossos corpos físicos, onde cada membro tem uma função especial, mas todos trabalham juntos (1 Co. 12: 14-21). Até os membros do corpo que parecem ser os mais fracos ou os menos úteis são necessários para que o corpo seja perfeito. Assim como o corpo humano o corpo de Cristo é um organismo completo, feito por Deus.

2.1 – A Origem dos Dons Espirituais

Os dons são presentes do Espírito Santo. É Ele quem decide e distribui dos dons (1 Co. 12: 11). Não devemos cobiçar dons que outros tenham, nem ter inveja deles. Podemos desejar outros dons e até pedir por eles, mas se não for a vontade do Espírito Santo, não obteremos o que pedimos (1 Co. 12: 14-18). Não devemos também nos deixar envaidecer por causa dos dons que nos foram confiados (1 Co 12: 21, 22).

2.2 – Dons X Talentos

Muitas pessoas especulam sobre a diferença entre Dom espiritual e talento natural. Creio que Deus pode tomar um talento natural e transformá-lo num dom espiritual (Ex. 31: 3-5; Tg. 1: 7).

2.3 – O Propósito dos Dons

  •  Paulo diz que o propósito destes dons espirituais é “o aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Ef. 4: 12). Um dia prestaremos contas ao Dono da Igreja pelo uso dos nossos dons (2 Co. 5: 10; 1 Co. 3: 11-15).
  • Para ajudar a unir o Corpo de Cristo – Ef. 4: 3-7.

 

2.4 – Como reconhecer seu Dom

  • Tenha certeza de que Deus lhe deu pelo menos um Dom espiritual, e quer que você saiba qual é e o use para Sua glória.
  • Ore com discernimento e objetivo. Ore para que Deus nos leve a ver os nossos dons. Tenha também a certeza se realmente quer usar os dons espirituais de uma maneira que honre a Deus. Se Deus, por exemplo, lhe mostrar que você tem o Dom de ensinar outros, você estaria disposto a colocar seu Dom em prática em uma classe de Escola Dominical?
  • Busque uma compreensão inteligente do que a Bíblia diz sobre dons espirituais.
  • Conheça a si mesmo e suas capacidades. Podemos notar que gostamos de fazer certas coisas, e que as fazemos bem – Por exemplo: Podemos não estar notando a capacidade que temos de ouvir e aconselhar pessoas. Mas com o passar do tempo veremos que cada vez mais pessoas vêm conversar conosco sobre seus problemas.

O processo de descobrir os dons espirituais pode ser longo, e mais dons podem se manifestar com o passar dos anos, quando somos confrontados com novas oportunidades e desafios. Mas isto não deve nos desencorajar.

Conclusão

O alvo último a alcançar por meio do serviço cristão é a glória de Deus: “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1 Co. 6: 20). Glorificamos a Deus através da nossa vida. Quando O servimos, manifestamos ao mundo a Sua glória. As boas obras devem ser praticadas para que os homens as vejam e glorifiquem ao Pai (Mt. 5: 16).

Todas as nossas atividades devem ter esse objetivo: “Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co. 10: 31). Em outro lugar, Paulo ensina que “tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus…” (Cl. 3: 17), e que tudo deve ser feito de “todo o coração, como para o Senhor, e não para homens” (Cl. 3: 23). É claro, então, que o serviço cristão não visa a satisfação ou a glorificação pessoal. Servimos para satisfazer e glorificar ao Senhor. Por essa razão, devemos colocar o coração no serviço.

É bom termos a consciência de que não vivemos para nós mesmos, mas para o Senhor (Gl. 2: 20), Que os nossos
dias sejam vividos de tal modo, que nosso jeito de ser, nossa maneira de agir e todas as nossas realizações resultem na
glória do nosso Salvador.


As lições desta série foram publicadas primeiramente em 1966 e republicadas em 1986 pelo Departamento de Educação da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil como parte da revista de escola bíblica dominical. Todos os direitos são reservados à UIECB (União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil).

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