Artigo 19 – A Igreja, o corpo de Cristo


Textos para estudo: 1 Coríntios 12: 12-26 e Efésios 4: 1-6

Texto áureoHá somente um corpo e um só Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação (Ef. 4: 4).

Leituras diárias:

Seg. – Efésios 3: 15;

Ter. – Efésios 4: 4;

Qua. – 1 Coríntios 12: 13;

Qui. – Efésios 1: 11;

Sex. – Romanos 8: 28, 30;

Sab, – Romanos 9: 1-18;

Dom. – Efésios 1: 13-14.

Objetivos da lição:

  1. Apresentar aos alunos o Artigo 19 da breve exposição;
  2. Dar o sentido de igreja, no sentido local e geral, distinguindo um do outro;
  3. Levar o crente a compreender o significado de igreja como um corpo; e
  4. Conscientizar o crente de sua posição e função como membro do corpo de Cristo

Artigo 19: “A Igreja de Cristo no céu e na terra é uma só compõe-se de todos os sinceros crentes no Redentor,
os quais foram escolhidos por Deus, antes de haver mundo para serem chamados e convertidos – nesta vida, e
glorificados durante a eternidade.”

O Artigo sobre o qual agora refletimos trata da doutrina da igreja, em especial da unidade espiritual de todos os redimidos por Jesus Cristo. Há quatro verdades sobre a igreja, patentes neste artigo: a sua natureza, a sua formação, a escolha divina dos salvos e a sua glorificação final.

1. A igreja no sentido local e geral

A palavra Igreja (ekklesia) é de origem grega, e significa “os chamados para fora”, isto é, os que estão em condições de serem selecionados no meio de um grupo para compor outro grupo com funções especiais. A palavra recorda e define um aspecto importante da igreja fundada por Jesus: é um povo especial. Cristo Jesus se deu por esse, “a fim de remir-nos de toda a iniquidade e purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tt. 2: 14). Foi, portanto, separado do meio de outros povos e especialmente qualificado para as atividades e funções especiais. Tendo caracteres gerais dos povos dos quais são tomados, os que pertencem a ela são, no entanto, diferentes deles. A igreja está no mundo, é formada por homens que vivem no mundo, mas não pertence ao mundo nem se identifica com o seu espírito (Jo. 17: 11-14).

A Igreja como Deus a vê, invisível aos olhos humanos, é única. Compõe-se de uma só família e toma o nome de Deus (Ef. 3: 14, 15). Como Deus a fez uma única família, assim, todos os que a compõem são irmãos. É uma grande família, composta dos que vivem (a igreja militante) e dos que já estão na eternidade (a igreja triunfante, à qual pertencem os “primogênitos arrolados nos céus”, Hb. 12: 23). Todos os que se identificam com Cristo no presente e os que com Ele se identificaram no passado, vinculados, portanto, por “uma só esperança da vocação” (Ef. 4: 4), pertencem à Igreja. Esta, como o povo de Deus de todos os tempos, inclui tanto os salvos do Antigo Testamento como os do Novo Testamento, “embora haja novos privilégios e novas bênçãos concedidos ao povo de Deus no Novo Testamento”.

Dois usos têm a palavra igreja, aplicada aos crentes, no Novo Testamento. Um, no sentido local, de uma comunidade situada em uma cidade, assim como a agremiação cristã em Jerusalém, na Judeia, em Corinto, em Antioquia, etc. A igreja local é a reunião, a congregação das pessoas que, tendo recebido a Cristo, dado testemunho de sua fé e sendo batizados, se reúnem em determinado local para a observância dos ensinos de Cristo, prática do culto e da vida cristã, propagação do Evangelho e testemunho público. Seu rol de membros é “atual”.

Em outro sentido, a palavra é usada de modo geral ou universal: significa a reunião dos crentes de todos os tempos, todas as pessoas que foram alcançadas pelo Evangelho e pela fé, sem distinções de grupos locais, nem estando o seu rol limitado por esses grupos.

Pode ser que um membro da igreja local, que foi simplesmente batizado, e por causa disso é membro dela, não pertença à igreja universal, por lhe haver faltado o novo nascimento ou a regeneração. É compreensível haver essa distinção, porque a formação de uma igreja local esta dependendo do testemunho do homem, sujeito a falhar; e a igreja, no sentido real, depende do testemunho de Deus.

Daí a necessidade de que, para representar realmente o que deve ser uma igreja, cada comunidade local seja zelosa e prudente na recepção de seus membros e nas qualificações espirituais de suas vidas, observando o que o Novo Testamento ensina a respeito da natureza, modo de viver, experiência e testemunho de uma igreja.

 

2. A Igreja, comunidade dos santos

“Todos os sinceros crentes no Redentor” compõem a igreja. A maneira como passam a fazer parte dela é mediante o batismo operado pelo Espírito: “Pois em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito” (1 Co. 12: 13). A inserção do crente no Corpo de Cristo se dá assim. Este ato espiritual, chamado de “um só batismo” é realizado depois da experiência de “uma só fé” (Ef. 4: 5). Deste modo, é impossível ser “verdadeiro crente” sem ter sido batizado pelo Espírito (Rm. 8: 9).

A igreja é “um corpo”; quem o divide ou perturba qualquer de seus membros, peca contra a unidade dela. A igreja, vocacionada por Deus e cuidada pelo Espírito, tem nEle o mesmo Senhor, que opera de modo diferente naqueles que uniu pela mesma vocação; quem despreza ou perturba a obra que Deus está realizando, não entende os métodos de Deus. A igreja está edificada em amor; quem, em nome de qualquer outra coisa, deixa de exercer e testemunhar amor peca contra o novo e maior dos mandamentos de Deus (Mt. 22: 37-40; Jo. 13: 34).

A figura da igreja como corpo é muito instrutiva, e pode lembrar:

  • A intercooperação de todos os membros: um membro isolado está morto ou para morrer;
  • A necessidade do membro no corpo: tirando-se um dos membros, o corpo pode continuar vivendo, mas como um corpo aleijado e incompleto;
  • A unidade de vida: o mesmo princípio de vida corre em todos os membros, alimentando-os e sustentando-os;
  • Os valores diferentes nos vários membros: nem todos são iguais na aparência, porém todos são importantes em suas funções, mesmo as que pareçam inferiores;
  • Da cabeça vem a direção do corpo: assim Cristo é a cabeça da igreja, que a Ele está submissa, e unicamente a Ele; e
  • O corpo é a forma visível do homem que, na verdade é espírito: igualmente a igreja local é o corpo da grande e gloriosa igreja invisível de Jesus.

 

3. A escolha dos homens para formar a igreja

Segundo o Artigo que ora comentamos, os crentes “foram escolhidos por Deus, antes de haver mundo”. Esta escolha se deu em Cristo: “Nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as causas conforme o conselho da sua vontade” (Ef. 1: 11). Duas verdades para destacar:

  • A nossa eleição foi planejada na eternidade. “Deus nos escolheu antes da fundação no mundo” (Ef. 1: 4).
  • A nossa eleição foi efetivada em Cristo. Todos os que nEle crêem são predestinados para a salvação. Passam a ter um destino que previamente Deus determinou, segundo a Sua vontade soberana e bondosa (Ef. 1: 5).

A eleição de Deus não ignora a vontade do homem (Mt. 7: 13; 16: 24). Em seu ato livre de aceitar a Cristo e a salvação, o homem exerce o seu livre arbítrio. O apelo de Deus, através do Evangelho, é dirigido às faculdades e poderes existentes no homem, que o distinguem como um ser moral, espiritual e pessoal. O homem tem inteligência. O Evangelho inclui o argumento e a persuasão. O homem tem consciência (2 Co. 5: 11). O homem tem emoções. O Evangelho se dirige de vários modos à emoção humana (Rm. 8: 24). O homem exerce vontade. O Evangelho se dirige à vontade humana, despertando-a para tomar posição (Jo. 5: 40; Mt. 23: 37).

A eleição divina e a liberdade do homem não se excluem. São duas verdades da Palavra de Deus. Caminham paralelas, como os dois lados de uma moeda. Devemos nos colocar humildemente em nosso lugar, reconhecendo que a matéria foge, em sua profundidade, à compreensão humana. São os mistérios de Deus, da mesma forma como a Trindade, e a dupla natureza de Cristo.

 

4. O destino da igreja

Há um fim ou destino para os crentes, de acordo com Romanos 8: 29, 30, que é o fundamento para esta expressão do Artigo 19: “…para serem chamados e convertidos nesta vida e glorificados durante toda a eternidade”. Enquanto os homens e mulheres desfrutam da vida terrena, se efetiva aqui o seu chamado e a sua conversão. Mediante isso é que passam a compor a igreja. A esses, Deus “também glorificou”. Os crentes experimentarão uma glorificação futura, que é tão certa quanto o fato de termos sido justificados. A glorificação pode ser entendida como o passo final da aplicação da redenção. Ocorrerá quando Cristo voltar e levantar dentre os mortos o corpo de todos os cristãos que morreram, de todas as épocas, reunindo-o com a alma de cada um, e mudar o corpo de todos os cristãos que estiverem vivos, dando, assim, ao mesmo tempo, a todos os cristãos, um corpo ressurreto como o Seu.

A obra de redenção do homem terá o seu final com a glorificação, que é a última etapa da salvação. E isto só acontecerá quando Jesus Cristo voltar e os crentes que morreram ressuscitarem dentre os mortos, e aqueles que ainda vivem forem transformados (cf. 1 Co. 15: 20, 21; 1 Ts. 4: 13-17). A glorificação implica a semelhança do nosso corpo ao do Cristo ressurreto. Esta nova dimensão de vida perdurará por toda a eternidade. No presente momento, nós aguardamos “a redenção do nosso corpo” (Rm. 8: 23), e estando ainda sujeitos ao sofrimento, como Cristo esteve (Rm. 8: 17).


As lições desta série foram publicadas primeiramente em 1966 e republicadas em 1986 pelo Departamento de Educação da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil como parte da revista de escola bíblica dominical. Todos os direitos são reservados à UIECB (União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *