Artigo 20 – O crente e sua igreja


Textos para estudo: Atos 2: 42-47.

Texto áureo: Não abandonemos a nossa própria congregação, como é costume de alguns… (Hb. 10: 25a)

Leituras diárias:

Seg. – Tito 3: 1-7;

Ter. – Mateus 18: 20;

Qua. – Hebreus 10: 25;

Qui. – Romanos 14: 1;

Sex. – 1 Coríntios 5: 3-5;

Sab, – Mateus 18: 15-17;

Dom. – Gálatas 5: 16-25.

Objetivos da lição:

  1. Apresentar aos alunos o Artigo 20 da breve exposição;
  2. Conscientizar o crente da necessidade da existência da igreja local;
  3. Mostrar a responsabilidade de cada um cuidar de si mesmo, em vista da responsabilidade de membro da igreja; e
  4. Indicar o relacionamento ideal que o crente deve ter com sua igreja e com o mundo.

 

Artigo 20:  “É de obrigação aos membros de uma igreja local reunirem-se para fazer orações e dar louvores a Deus, estudarem Suas palavras, celebrarem os ritos ordenados por Ele, valerem uns aos outros e promoverem o bem de todos irmãos, receberem entre si como membros aqueles que o pedem e que parecerem verdadeiramente
filhos de Deus pela fé, excluírem aqueles que depois mostram, pela desobediência aos preceitos do Salvador, que não são de Cristo, e procurarem o auxílio e proteção do Espírito Santo em todos os seus passos”.

Os crentes assumem compromissos com Cristo e naturalmente com a igreja, na sua expressão local, quando nela
ingressam através da profissão de fé e batismo. Segundo a nota do Artigo anterior, igreja local “é uma associação de crentes em qualquer cidade congregada no nome do Salvador para conduzir-se de acordo com as regras que Ele deixou às Suas igrejas”. Em outras palavras, é um grupo de crentes formalmente congregados em determinado lugar, com o objetivo de cumprir os propósitos para os quais o Senhor constituiu a igreja.

1. Igreja local, uma necessidade

Dois textos bíblicos, em especial, indicam essa obrigação. O primeiro contém palavras do Mestre; “Onde estiverem dois ou três reunidos” (Mt. 18: 20), que supõe a necessidade de os crentes se reunirem para desfrutarem coletivamente da Sua presença. O outro traz uma recomendação para os crentes não deixarem de congregar-se, por causa das dificuldades dos tempos, e para cumprirem o dever mútuo da admoestação (Hb. 10: 25).

É da vontade de Deus que cada crente pertença a uma igreja. Cada pessoa que se converte deve procurar unir-se a uma congregação. Esta verdade é notadamente ensinada nas Escrituras, a começar dos Evangelhos. Em Mateus 28: 19, 20, na Grande Comissão, por exemplo, claramente se vê que o Senhor tem em mira, com o mandamento do batismo e do ensino, uma congregação formada pelas pessoas que haveriam de crer. Os meios de graça e muitas atividades dos cristãos, como a aplicação da disciplina (Mt. 18: 15-17), a celebração do batismo e da Ceia, que são ensinos dados diretamente por Cristo, não poderiam ser observados sem um grupo organizado para isso.

Quando chegamos ao livro de Atos e às epístolas, as organizações locais vão aparecendo como produto natural e necessário da expansão da pregação do Evangelho e das necessidades e experiências cristãs dos convertidos. No texto de Atos 2: 47, lemos que “acrescentava-lhes o Senhor (ao grupo local que se organizava em Jerusalém), dia a dia, os que iam sendo salvos”. Isso que o Senhor fez na capital da Palestina, fez também em outros lugares. Os apóstolos honram essas organizações locais, que são legítimas expressões da Obra de Deus entre os homens.

É necessário fazer-se essas observações, tendo em vista alguns conceitos que depreciam o que tem sido chamado de eclesiasticismo, usando este termo pejorativamente, para desprezar o aspecto organizado da igreja, com as responsabilidades definidas de seus membros para com os grupos aos quais estão filiados. Aprendamos essa ideia: cada crente tem a responsabilidade de leal e consagradamente, cooperar com a organização eclesiástica a que está ligado, contribuindo para seu fortalecimento, não só em si mesma, mas como membro que é do corpo místico de Cristo.

 

2. Os deveres que os crentes cumprem ao se reunirem

O texto do Artigo 20 define alguns propósitos que devem ser cumpridos pela igreja reunida. As reuniões devem
ter como objetivo:

  • Fazer orações (Fp. 4: 6) – Não se pode negligenciar as reuniões de oração. De certo modo, elas determinam o grau espiritual da igreja. Os cristãos da Igreja Primitiva juntavam-se para orar. Dos crentes de Jerusalém lê-se que “… perseveravam nas orações” (At. 2: 42). Lucas informa que os irmãos de Antioquia encontravam-se reunidos “orando”, quando receberam do Espírito Santo a ordem para enviarem Paulo e Barnabé à primeira viagem missionária (At. 13: 3).
  • Dar louvores ou adorar a Deus (Hb. 13: 15) – Deus nos criou com o desejo de nos aproximarmos dEle. A razão por que assim nos fez é que Ele anseia por adoradores. Por isso, Jesus diz que o Pai procura adoradores que O adorem “em espírito e em verdade” (Jo. 4: 23).
  • Estudar a Palavra de Deus (Cl. 3: 16) – O ensino da Palavra é um meio pelo qual Deus dispensa mais da Sua graça a igreja. Somos agraciados pela instrumentalidade da Palavra no início da vida cristã, pois Deus nos “gerou pela Palavra da verdade” (Tg. 1: 18; 1 Pe. 1: 23), Esta mesma Palavra tem poder para edificar (At. 20: 32). Ela é indispensável para a nutrição espiritual dos cristãos, pois vivemos “de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt. 4: 4).
  • Celebrarem os ritos ordenados por Ele – Os dois ritos cristãos, o batismo e a ceia do Senhor, são cerimônias coletivas, não individuais ou particulares, e por isso devem ser realizados pela comunidade reunida.
  • Valerem-se uns aos outros – Os cristãos são capacitados pelo Espírito Santo a servirem, de modos diversos, uns aos outros. Esse serviço pode assumir a forma de palavras de ânimo, instrução, exortação, aconselhamento (2 Ts. 5: 14). É o cumprimento dos deveres de mutualidade. Paulo recomenda aos colossenses: “… instruí-vo s e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria” (Cl. 3: 15). Em Hebreus se ensina a considerarmos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras” (Hb. 10: 24).
  • Promoverem o bem de todos os irmãos – O ministério do crente inclui contribuir para atender às necessidades materiais de um irmã o ou irmã. A Igreja Primitiva nos dá o exemplo, pois atendia prontamente aos cristãos pobres, de modo que “nenhum necessitado havia entre eles” (At. 4: 34). Tiago ensina que a “religião pura e sem mácula” implica também “visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações” (Tg. 1: 27). Paulo menciona que os líderes da igreja de Jerusalém recomendavam “que nos lembrássemos dos pobres, o que também me esforcei por fazer” (Gl. 2: 10), e ele mesmo lembra que devemos praticar “o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (GI. 6: 10).

 

 

3. O dever da igreja de receber e excluir

Todo aquele que confessa Cristo como Senhor e Salvador deve ser acolhido pela igreja e tratado com a devida consideração , mesmo o que é “débil na fé” (Rm. 14: 1). “Acolhei”, no grego, dá a ideia de recepção ou aceitação sem qualquer atitude de censura. Não se deve impedir, portanto, que irmãos participem da comunhão cristã devido a questões de preconceitos ou opiniões sobre coisas não essenciais.

É da competência da igreja local, reunida, receber os conversos, o que se faz mediante a cerimônia de profissão de fé e batismo. Isso nos ensina que a tarefa de recepcionar novos membros na igreja é de responsabilidade da própria igreja, e não da sua liderança.

Mas só devem ser recebidos os “que parecem ser verdadeiramente filhos de Deus pela fé”, assim determina o Artigo 20. Deduz-se, desta declaração, que os candidatos a membros de uma igreja devam ser provados quanto à fé, antes de serem recepcionados. Isso é o que também recomenda a prudência, para que se evite acolher no rebanho pessoas que com ele em nada se identificam.

Do mesmo modo, compete à igreja reunida exercer a disciplina sobre seus membros. O texto do Artigo 20 diz: “excluírem aqueles que depois mostram, pela desobediência aos preceitos do Salvador, que não são de Cristo”. Mesmo havendo o cuidado seletivo na recepção de membros, entram no rebanho pessoas que manifestam, com o passar do tempo, não pertencerem a ele, de fato. A disciplina extrema, que é serem considerados como não pertencentes à igreja, encontra apoio bíblico. Paulo admite este gesto da congregação em 1 Coríntios 5: 3-5, quando recomenda que o pecador impenitente “seja entregue a Satanás para a destruição da carne”. Também o Senhor Jesus instrui que se considere “gentio e publicano” o irmão que, advertido pela igreja, continua rebelde e não se arrepende do pecado (Mt. 18: 15-17).

O texto de 1 Coríntios faz referência à disciplina que deveria ser aplicada a um membro da igreja que praticou um pecado de imoralidade (incesto com a mulher de seu pai, madrasta viúva). Esse era um pecado condenado tanto pelos romanos (1 Co. 5: 1) como pelos judeus (Lv. 18: 7, 8), Paulo recomendou que o autor do pecado fosse imediatamente excluído . As expressões que pressupõem esta ordem dada à igreja são: “tirado do vosso meio” (v.2) e “entregue a Satanás para a destruição da carne” (v. 5).

Mas tal disciplina, aparentemente tão dura da parte da igreja, não tinha como finalidade a condenação do pecador. “Para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus”, é o anúncio da intenção de recuperar o transgressor, mediante o sofrimento impingido a ele pelo inimigo. A igreja profere uma “sentença de morte para um pecado de gravidade, mas morte física, não espiritual”.

O texto de Mateus 18: 15-17 apresenta uma situação que envolve um pecado de alguém contra outrem. Se tal situação não pode ser resolvida em uma reunião privada: “entre ti e ele só'” (v. 15) nem em uma reunião com um pequeno grupo: “toma contigo uma ou duas pessoas” (v. 16), o problema deve ser encaminhado à igreja, para ter sua solução (v. 17). “Nesse caso o assunto avançou de uma situação particular e informal para um processo de disciplina público e muito mais formal, feito pela igreja inteira”. Caso a admoestação da igreja não seja considerada pelo pecador, “se recusar ouvir também a igreja”, o impenitente deve ser tratado como “gentio e publicano”, isto é, como um estranho à comunidade. A igreja inteira deve decidir que a pessoa em pecado não pode constar mais em seu rol de membros.

“É de obrigação aos membros de uma igreja… procurarem o auxílio do Espírito em todos os seus passos” (Art. 20). A vida da Igreja, bem como o cumprimento da sua missão, devem ser exercidas na plenitude do Espírito. Desafio: Separem um momento para a oração, e roguem por esta graça na classe.


As lições desta série foram publicadas primeiramente em 1966 e republicadas em 1986 pelo Departamento de Educação da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil como parte da revista de escola bíblica dominical. Todos os direitos são reservados à UIECB (União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil).

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