Artigo 21 – A obediência dos crentes


Textos para estudo: Efésios 2: 8-10 e Tito 3: 1-7

Texto áureoSe me amais, guardareis meus mandamentos (Jo. 14: 15).

Leituras diárias:

Seg. – Tito 3: 1-7;

Ter. – Efésios 2: 1-10;

Qua. – 1 João 5: 1-12;

Qui. – 1 João 5: 13-19;

Sex. – Êxodo 20: 1-17;

Sab. – Colossenses 2: 8-23;

Dom. – Romanos 4: 1-25.

Objetivos da lição:

  1. Estudar o Artigo 21 da breve exposição;
  2. Enfatizar a doutrina da salvação pela graça em Cristo Jesus;
  3. Conscientizar o crente da necessidade de praticar as boas obras, de dar ao mundo um testemunho de genuína fé; e
  4. Relacionar o mandamento de Jesus com os mandamentos da lei.

Artigo 21: “Ainda que os salvos não obtenham a salvação pela obediência à lei senão pelos merecimentos de Jesus Cristo, recebem a lei e todos os preceitos de Deus como um meio pelo qual Ele lhes manifesta sua vontade sobre o procedimento dos remidos e guardamos tanto mais cuidadosa e gratamente por se adiarem salvos de graça”.

O Artigo 21 oferece oportunidade para estudar dois assuntos: a salvação pela graça e a obediência aos mandamentos.

1. A salvação pela graça

 

A salvação pela graça é uma doutrina fundamental do Novo Testamento, baseada em diversos textos, especialmente em Efésios 2.8,9. À luz deste texto, concluímos o seguinte:

1.1. A graça de Deus salva

 

Graça é a livre operação divina, imerecida, mediante a qual Deus realiza a nossa salvação. Ele a oferece gratuitamente, mesmo não havendo em nós coisa alguma pela qual nos deva salvar (Rm. 5: 8). Deus é gracioso, no sentido em que sua boa-vontade se volve para nós, e gratuitamente nos salva.

Deve-se compreender que essa doutrina não se dissocia da doutrina de que Deus também é justo. A justiça de Deus impede que Sua graça venha a manifestar-se salvando aqueles que, dentro dos preceitos da justiça do plano e do caráter dEle, estão em completo e absoluto desajustamento com esse plano e esse caráter. Daí a verdade bíblica de que Deus, embora amando o mundo e desejando que o ímpio não pereça, não processará a salvação de todos, senão
daqueles que creem.

1.2. A salvação é mediante a fé

 

A atitude pela qual, confiadamente, nos deixamos convencer por Deus quanto a excelência e eficácia da obra de Cristo, é a nossa fé. A graça divina age através da fé, que consiste em aceitarmos o plano e o método de Deus para a nossa salvação. Nisto concorrem três elementos: a graça de Deus, que providenciou como poderíamos ser salvos; a obra expiatória de Cristo, pela qual nos tornamos justos diante de Deus; e a nossa fé, que demonstra aceitarmos a substituição e a mediação de Cristo por nós.

Este princípio aparece no Antigo Testamento, assim como no Novo. Abraão foi aceito não por causa das suas obras, mas mediante a condição de sua fé. Todos os judeus salvos o foram pela mesma condição. A lei não anulou a promessa. Constituiu-se em uma provisão da graça para o povo escolhido, com o fim de conduzir os judeus a Cristo.

A salvação por meio das obras seria impossível, por causa do pecado e debilidade humanos. Sempre tem sido pela graça por meio da fé. Em Gálatas 3: 15-22, Paulo manifesta a significação da lei com relação ao Evangelho. Nunca foi proposto que os homens fossem salvos pelas obras da lei. A conclusão de Paulo é que a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois do chamado de Abraão e de sua justificação, não desfez o principio da fé para a salvação. Tinha outro propósito: preparar o povo de Israel para que tivesse o sentimento da necessidade de um Redentor. Podia trazer-lhes o conhecimento da sua própria debilidade e prepará-los para Cristo, que é o fim da lei para a justiça de todos os que O
recebem pela fé.

Portanto a fé, isto é, a atitude pela qual, confiadamente, nos deixamos convencer por Deus da excelência e da eficácia o que Ele nos ensina e apela, é o que possibilita à graça operar a vontade salvadora de Deus sobre nós. A graça divina age através da fé; tem, nela, o veículo pelo qual nos alcança. Pela fé nos colocamos no ponto em que Deus nos possa salvar.

2. A obediência aos mandamentos

 

A obediência ao Senhor é resultado do reconhecimento da Sua autoridade sobre nós. Dele são o direito e a prerrogativa de ditar normas para o relacionamento das Suas criaturas, com Ele mesmo e entre si.

Mas aqueles que creem em Cristo obedecem aos Seus mandamentos porque O amam. Este foi o desafio deixado pelo Mestre aos discípulos: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo. 14: 15).

2.1. A obediência não é um fardo para o cristão

 

Diferentemente da lei mosaica, que impunha cargo pesado sobre os que a ela se sujeitavam (Mt. 23: 4), os mandamentos de Cristo são leves: “…que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos” (1 Jo. 5: 2, 3, Mt. 11: 28-30). Se a obediência aos mandamentos é a expressão da vontade divina, não podem mesmo representar um peso obedecê-los. São divinos! Mas a razão pela qual não achamos pesados os mandamentos de Deus não está, porém, só no caráter deles. Também está em nós mesmos, ao saber, que nos foi dada a possibilidade de guardá-los. O homem regenerado está habilitado a cumprir a lei divina, pois a obediência passa a ser uma marca da sua conversão a Cristo. Paulo elogia os crentes romanos, dizendo deles: “Pois a vossa obediência é conhecida por todos” (Rm. 15: 19).

Os mandamentos de Jesus baseiam-se em princípios diferentes dos mandamentos da lei mosaica. Esta não consultava os sentimentos nem a vontade daqueles que a observavam. Impunha-lhes obrigações e, por isso, o povo judeu, mal interpretando o sentido real do código mosaico, se limitou a obedecer ao aspecto formal dos mandamentos para se julgar em paz com Deus e justificado pela obediência à letra da lei. O judeu pecava quando transgredia a letra da lei. Quanto a nós, todas as vezes que formos infiéis às nossas relações de amor (para com Deus e para com o próximo), pois nessas duas coisas se resume toda a lei espiritual. Aí estamos pecando.

2.2. A lei de Deus orienta o procedimento do cristão

Nós a recebemos como um meio da revelação da vontade de Deus. Deste modo, os filhos de Deus são conhecidos por guardarem os Seus mandamentos e Lhe demonstram o seu amor pela observância deles (1 Jo. 5: 2, 3).

O amor a Deus tem uma consequência inevitável a obediência. Assim, o verdadeiro cristão ama a Deus na prática, como Ele também exige que se ame os irmãos (1 Jo. 3: 18).

Há na Bíblia as leis que diziam respeito aos ritos e cerimônias externos dos judeus, como a circuncisão, os sacrifícios e a distinção entre animais limpos e impuros, a guarda de dias e anos, as festas religiosas, que se incluem na classificação de leis cerimoniais. Por esse motivo não são obrigação do crente em Cristo, pois foram abolidas pelo surgimento da nova dispensação (Ef. 2: 15; Cl. 2: 14).

Mas há leis que o cristão deve cumprir. São as que se baseiam na natureza de Deus e as que têm por base as relações permanentes dos homens em seu atual estado de existência. As primeiras incluem, por exemplo, o mandamento de amar a Dous sobro todas as coisas e praticar a justiça, sendo obrigatórias para todas as criaturas racionais, quer anjos quer homens. As outras são as que classificamos como leis morais. São obrigatórias, porque regem as relações entre as pessoas. Há ainda as leis que têm por base certas relações temporais dos homens, regidas pela autoridade do Senhor, como, por exemplo, a obediência ao governo civil. A Palavra de Deus manda obedecê-las, porque objetivam estabelecer o bem-estar humano.

3. A obediência é uma resposta à graça

 

Reconhecendo que sua salvação não foi mediante as obras, mas pela graça e misericórdia divinas, o cristão reage à ação de Deus mediante a obediência e a prática das boas obras (Tt. 3: 8). Podem ser apontadas duas razões para a operosidade da fé cristã:

3.1. A fé sem obras é morta

 

Tiago, na discussão sobre a fé, diz que a fé sem obras é morta em si mesma, isto é, que a fé, para comprovar-se genuína e verdadeira, se evidencia nas obras que apresenta (Tg. 2: 17, 18). A fé sem obras assemelha-se a um corpo sem espírito (Tg. 2: 26). Segue-se que a obediência aos mandamentos de Cristo é inerente à fé salvadora.

3.2. Os cristãos são vocacionados para as boas obras

As obras são fruto da salvação, e não a antecedem. Não somos salvos pelas obras, mas para as obras. Notemos: “.. criados em Cristo Jesus para as boas obras” (Ef. 2: 10). Pedro expõe a mesma doutrina, mostrando qual é a finalidade
da igreja (1 Pe. 2: 9). Aprendemos também, em comentário anterior, que, sendo nós varas, Deus limpa as que dão fruto
para que deem mais frutos. Jesus, em outro passo, nos diz que Ele nos enviou para que demos muitos frutos e nossos
frutos permaneçam (Jo. 15: 16). Na carta a Tito, Paulo diz que Jesus se deu a Si mesmo para criar um povo Seu, “zeloso de boas obras” (Tt. 2: 14).

Na relação entre a fé e as obras devemos ter em mira o seguinte fato: nossa fé nos justifica diante de Deus, para a salvação; nossas obras nos justificam diante do mundo para o testemunho. Por causa da primeira somos tornados luzes; por causa das obras, nossa luz promove a glorificação de Deus entre os homens (Mt. 5: 15).

Reflexão

 

A minha fé tem sido demonstrada através das obras? O Nome do Senhor tem sido glorificado pelos não crentes devido as obras que são praticadas? O propósito divino em ter um povo zeloso de boas obras é verdade na minha vida, na minha Igreja? O que pode e deve ser aperfeiçoado, mudado?


As lições desta série foram publicadas primeiramente em 1966 e republicadas em 1986 pelo Departamento de Educação da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil como parte da revista de escola bíblica dominical. Todos os direitos são reservados à UIECB (União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil).

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