Artigo 22 – Sacerdócio dos crentes e o governo da igreja


Textos para estudo: Efésios 4: 11-16

Texto áureo: E ele mesmo concedeu uns para apóstolo, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros pastores e mestres (Ef. 4: 11).

Leituras diárias:

Seg. – 1 Pedro 2: 1-9;

Ter. – Romanos 12: 1-8;

Qua. – Mateus 23: 8-10;

Qui. – Hebreus 3: 1; Efésios 1: 22;

Sex. – Hebreus 3: 6;

Sab. – Efésios 4: 1-16;

Dom. – Timóteo 3:  1-7.

 

Objetivos da lição:

  1. Estudar o Artigo 22 da breve exposição; e
  2. Considerar o caráter organizacional da igreja e seu governo;

Artigo 22: “Todos os crentes sinceros são sacerdotes para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por Jesus Cristo, que é o Mestre, Pontífice e único Cabeça da sua igreja. Mas como Governador da Sua Casa estabeleceu nela diversos cargos como de Pastor, Diácono e Evangelista. Para eles escolhe e habilita, com talentos próprios, aos que Ele quer para cumprirem os deveres destes ofícios, e quando existem, devem ser reconhecidos pela igreja como preparados e dados por Deus“.

O Artigo que hora é alvo de nossa consideração trata de dois assuntos: o sacerdócio individual do crente e o governo ou liderança da igreja local.

1. O sacerdócio individual dos crentes

 

Sacerdote deriva da palavra latina sacerdos (daí sacerdócio, no latim sacerdotium) que designa aquele que oferece sacrifício. Mais tarde, “sacerdócio” passou a indicar a dignidade e as funções do celebrante de um culto.

O sacerdócio se tornou necessário devido à pecaminosidade universal do homem. Vendo-se na obrigação de prover meios para restabelecer a relação com o Criador, quebrada pelo pecado, o homem passou a oferece’-Lhe sacrifícios (Gn. 4: 4), que simbolizavam o desejo de se reconciliar com o seu Deus. E para oferecê-los, tornou-se imprescindível a instituição do sacerdócio.

Nos tempos primitivos, não eram consagrados homens especiais para a função sacerdotal. Os chefes de família a exerciam (Jó. 1: 5). Mais tarde, no tempo de Moisés, o sacerdócio foi instituído por Deus (Ex. 28: 1; 29: 1-9; Lv. 8), e o sacerdote cumpria um mandato divino, ao exercer o seu ofício. Representava o homem perante Deus. Servia de mediador, como o fez Moisés ao interceder por todo o povo (Ex. 32: 32).

Semelhante sacerdócio não existe na igreja cristã. Não temos mais necessidade de sacerdotes que apresentem sacrifícios para a expiação de pecados. Um Sacerdote a Si mesmo ofereceu “uma vez por todas” (Hb. 9: 28). Seu sacrifício único e eficaz tornou sem valor quaisquer outros sacrifícios (Hb. 9: 13, 14; 10: 18).

Assim, mediante Cristo, instituiu-se o sacerdócio individual ou universal do cristão. Todos os crentes em Cristo são sacerdotes, tal como todos eles são pedras que fazem parte do templo espiritual. É um sacerdócio “santo”, devido à nova condição de santificados (separados) para Deus e chamados a oferecerem sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo (1 Pe. 2: 5). Estes sacrifícios espirituais não visam a redenção, sendo ofertas de gratidão a Deus pelo sacrifício redentor suficiente de Cristo (Hb. 13: 15), e também representam a consagração da própria vida a Deus, para o cumprimento da Sua vontade (Rm. 12: 1, 2), Constitui-se ainda em sacerdócio real, porque deriva diretamente do Rei, Jesus Cristo e não possui mais caráter simbólico. Agora somos pertencentes a uma família real, e por isso convocados a darmos testemunho perante o mundo do sacrifício cumprido pelo Rei, uma vez por todas, e da Sua presença constante, como Cordeiro imolado, diante do Trono de Deus, onde por nós ministra como grande Sumo Sacerdote (1 Pe. 2: 9, 10; Ap. 1: 6; Hb. 3: 1; 4: 14, 15).

2. O governo da igreja

 

2.1. O governo do Senhor

 

Além de ser o fundamento, Jesus é o Senhor da igreja. Ele é a sua autoridade suprema. A liderança que exerce sobre ela é indicada por alguns dos títulos que recebe, referidos neste Artigo 22.

Mestre – No original, o termo para mestre é “rabi”, que significa “meu professor”, uma forma reverente de tratamento. Os escribas e fariseus se deleitavam em serem chamados de rabinos (Mt. 23: 7). Os seguidores de Jesus foram ensinados a não requererem o título, uma vez que parecia indicar superioridade de uns sobre os outros. Deveriam considerar como o Mestre apenas um só, Cristo, e considerarem-se uns aos outros como irmãos.

Pontífice – Este termo tem o sentido de “maior autoridade eclesiástica”. No sistema sacerdotal judaico era o “sumo sacerdote”. Jesus é assim chamado, pois é o “Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão” (Hb. 3: 1).

Cabeça – Jesus Cristo é “o cabeça” dado à igreja (Ef. 1: 22). Isto significa que é Ele o líder supremo, o soberano Senhor, Tanto o universo como a igreja estão sob o Seu domínio.

Governador – É comparado a Moisés, que recebendo a incumbência de governar o povo de Deus, foi fiel (Hb. 3: 5). Cristo foi colocado sobre a “casa”, a igreja, para a governar.

2.2. O governo delegado aos homens

 

Cabe ao Senhor a distribuição das diversas funções entre os crentes na Igreja. Ele mesmo a supre com os dons para o serviço, concedidos aos seus membros (ICo 12.28). Neste texto são destacadas os seguintes cargos ou funções:

  • Apóstolo, que quer dizer “enviado por”. Podemos encontrar três sentidos prováveis da palavra:

1- Sentido geral: todos os crentes são enviados ao mundo, participando da missão apostólica;

2- Sentido específico: referindo-se a mensageiros enviados com incumbências especiais (2 Co 8: 23; Fp. 2: 25). São membros da Igreja, obreiros do Senhor, destacados para cumprir a tarefa de implantar igrejas, a fim de atender à Grande Comissão.

3- Sentido restrito: referência ao grupo pequeno e especial dos “apóstolos de Cristo”, os doze (Lc 6.12,13) e Paulo, incluído como “um nascido fora de tempo” (1 Co 15.8).

A função de apóstolo não pressupõe posição de superioridade hierárquica, como hoje se pretende. A expressão usada por Paulo, primeiramente apóstolos, devia-se à tarefa que assumiam de estabelecerem igrejas com o fundamento na doutrina dos apóstolos.

  • Pastor – A principal missão deste líder é exercer o cuidado das ovelhas que lhe são confiadas, alimentando-as e livrando-as dos perigos. Esse nome é aplicado genericamente aos ministros da Palavra, mas “pastor” é essencialmente a função ou o ofício daquele que exerce a liderança de um rebanho. Suas atribuições ordinárias são pregar e ensinar; celebrar os ofícios religiosos; dirigir a igreja, auxiliado por outros oficiais; ministrar as ordenanças e invocar a bênção divina sobre o povo de Deus.
  • Presbíteros – São os homens aptos para presidir e dirigir os demais crentes em uma comunidade, não tanto por causa da idade, mas devido à experiência cristã já adquirida (1 Tm. 3: 1-7). Deles se exige características pessoais e morais que os habilitem para o serviço, e especialmente que sejam aptos para ensinar palavra.
  • Diáconos – São os oficiais eclesiásticos que se ocupam da distribuição e da caridade fraternal, pois para esses ministérios foram constituídos. Em Jerusalém elegeram sete homens aprovados, a fim de administrarem os recursos recolhidos com vistas ao sustento dos necessitados (At. 6: 3). Esta classe de oficiais, como a dos presbíteros, parecia ser comum no seio da igreja (cf. Fp. 1: 1).
  • Evangelistas – São pessoas vocacionadas para o trabalho exclusivo de anunciar as boas novas de salvação aos pecadores (Ef. 4: 11). Sua tarefa precípua é pregar o Evangelho. Não lhes cabe nenhuma atribuição pastoral nem a preocupação com a implantação de igrejas.

 

2.3. Escolha, capacitação e reconhecimento

 

Jesus mesmo “escolhe e habilita”. A escolha se dá mediante o chamado ou vocação. Ninguém deve se aventurar a servir em um dos ofícios eclesiásticos, se do Senhor não receber o chamado. É verdade que a salvação já envolve a vocação ao serviço (Ef. 2: 10). Entretanto, Deus escolhe, dentre os que o servem, aqueles que deseja colocar em serviços específicos e com a responsabilidade de liderança na igreja. Deus provoca, nas pessoas a quem chama, uma compulsão interna e as leva, naturalmente, à obediência. É preciso que haja convicção profunda de que Deus chama para o serviço. A isto deve-se seguir uma confirmação pública, pois a vontade do Senhor é reconhecida mediante o piedoso julgamento da igreja.

Conclusão

A liderança na igreja, por meio dos ofícios acima, deve visar o aperfeiçoamento dos santos (Ef. 4: 12, 13), e a tarefa básica a desenvolver é o “pastoreio” do rebanho de Deus (1 Pe. 5: 1, 2).

Os irmãos que lideram hão de receber, da parte dos liderados, o reconhecimento, a estima, o amor e a honra (Fp. 2, 29; 1 Ts. 5: 12, 13). E se a igreja os reconhece como “dados por Deus”, deve também interessar-se pelo seu preparo e aperfeiçoamento, a fim de que executem com excelência a vocação que receberam do Senhor.


As lições desta série foram publicadas primeiramente em 1966 e republicadas em 1986 pelo Departamento de Educação da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil como parte da revista de escola bíblica dominical. Todos os direitos são reservados à UIECB (União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil).

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