Artigo 24 – A lei cerimonial e os ritos cristãos


Textos para estudo: Hebreus 9: 1-10.

 

Texto áureo: É isto uma parábola para a época presente; e, segundo esta, se oferecem tanto dons como sacrifícios, embora estes, no tocante à consciência, sejam ineficazes para aperfeiçoar aquele que presta culto, (Hb. 9: 9).

 

Leituras diárias:

Seg. – Hebreus 10: 1-18;

Ter. – Colossenses 2: 16, 17;

Qua. – Mateus 28: 19;

Qui. – Atos 10: 47, 48;

Sex. – Mateus 26: 26-30;

Sab. – 1 Coríntios  11: 23-29;

Dom. – Atos 2: 37-44.

 

Objetivos da lição:

  1. Estudar o Artigo 24 da breve exposição;
  2. Esclarecer aos crentes a relação entre a páscoa e a Ceia do Senhor;
  3. Considerar o modo como os judeus celebram a páscoa; e
  4. Expor ao crente o verdadeiro sentido do batismo e da Ceia do Senhor.

 

Artigo 24: “Os ritos judaicos, divinamente instruídos por ministério de Moisés, eram sombras de bens vindouros e cessaram quando os mesmos bens vieram. Os ritos cristãos são somente dois: o batismo d’água e a Ceia do Senhor“.

 

O Artigo da nossa “Confissão de Fé” que aqui vamos considerar define a posição quanto aos ritos judaicos e às ordenanças sagradas. Vamos analisá-los nesta exposição.

1. Os ritos judaicos

Rito é um conjunto de cerimônias e fórmulas religiosas. Os ritos judaicos eram um sistema de práticas cultuais ou litúrgicas desenvolvidas pelo povo de Israel.

1.1. Os ritos instituídos por Moisés

Os sacrifícios – Não se sabe precisar qual a origem dos sacrifícios. Mas parece que existem desde que o homem cometeu o primeiro pecado. A provisão de Deus, fazendo vestimenta de peles para o homem cobrir a sua nudez, após a queda (Gn 3.21).

A consagração de pessoas – Todos os israelitas precisavam se consagrar mediante algum cerimonial.

Os dias sagrados – As datas e ocasiões que a lei obrigava que fossem comemoradas – A lei determinava a celebração das seguintes datas: o sábado (Ex. 23: 12; Lv. 23: 1-3); a Páscoa (Ex. 12: 3-17; Lv. 23: 4-8); a das Primícias (Lv 23: 9-14); o Pentecostes ou festa das semanas (Lv. 23: 15-22); a festa dos tabernáculos (Lv. 23: 34-43); a festa das trombetas (Lv. 23: 23-25); o dia da expiação (Lv. 23: 26-32).

Lugares e coisas santas – Havia lugares, como o Tabernáculo, e as coisas, como a arca, os altares, o véu, o candelabro e as vestes sacerdotais, que deviam ser santificados (Ex. 25 a 30).

1.2. O valor simbólico dos ritos judaicos

Hoje, todo esse conjunto de ritos constitui somente sombra “de bens vindouros e já cessaram quando os mesmos bens vieram”. Em Hebreus 10.1 encontra-se a afirmação do fim da validade das exigências antigas, pois eram apenas “sombra” e “não a imagem real das cousas”, além de serem ineficazes, por si, para aperfeiçoar os ofertantes. No texto de Colossenses 2.16,17, Paulo ensina que as ordenanças antigas não passavam de sombra da realidade que haveria de vir, que é Cristo.

2. Os ritos cristãos

 

O Cristianismo não é uma religião ritualista, isto é, os benefícios do Evangelho não se aplicam aos crentes por intermédio de atos e cerimónias previamente estabeleci das como condições para recebê-los. A essência do Cristianismo é o contato direto do homem com Deus por meio do Espírito e por intermédio de Cristo. Isso é o que se chama, teologicamente, o “sacerdócio individuai dos crentes”, doutrina que as igrejas da Reforma evangélica colocaram como uma das suas colunas de interpretação bíblica quando proclamaram, conforme as Escrituras, o direito e o privilégio de cada homem, em espírito e pela mediação de Cristo, poder encontrar-se pessoalmente com Deus, sem a intercessão ou sacerdócio de qualquer outro medianeiro.

Portanto, não há um mandamento de adoração dogmática e inflexível, de ordem sacramental e ri tua lista, pela qual Deus atenda ou deixe de atender às ansiedades do coração humano. Jesus, na sua resposta à mulher samaritana, deixou bem clara essa verdade (Jo. 4: 21-26).

2.1. O batismo cristão

Jesus Cristo fixou uma ordem expressa para que fossem batizados os Seus seguidores, em todo o tempo (Mt. 28: 19). E Ele nos dá autoridade para a observância do batismo, pois também foi batizado (Mt. 3: 15). Embora o sentido do Seu batismo seja diferente do significado do batismo cristão, não há dúvida que nisto Ele também nos deixou um exemplo para seguirmos (1 Pe. 2: 21).

2.1.1. O batismo na igreja primitiva

Quando Pedro pregou o Evangelho à multidão reunida em Jerusalém, recomendou-lhes; ” … e cada um de vós seja batizado … ” (At. 2: 38), e os que “aceitaram a Palavra foram batizados” (At. 2: 41). Após anunciar a mensagem de salvação na casa de Cornélio, o apóstolo entendeu que deviam ser batizados os que creram (At. 10: 47, 48). Lídia de Tiatira foi batizada por Paulo (At. 16: 14, 15), que também ministrou o batismo ao carcereiro de Filipos (At. 16: 33). Tendo chegado a Corinto e anunciado ali o Evangelho, o dirigente da sinagoga. Crispo, e muitos coríntios que creram foram batizados (At. 18: 8). Logo que o Evangelho chegou a Éfeso, os discípulos de João, após compreenderem a necessidade de crerem em Cristo, foram igualmente batizados (At. 19: 5). A Igreja Primitiva não concebia que um seguidor de Cristo deixasse de ser batizado.

2.1.2. O batismo e a salvação

As Escrituras demonstram, com clareza, que somos salvos pela graça mediante a fé em Cristo. O batismo não salva. Não é sacramento nesse sentido. Se pensarmos que, biblicamente falando, o batismo não é para incrédulos, mas para crentes em Cristo, compreenderemos isso. O batizado com água já está salvo quando se batiza, e este é um ato de obediência do salvo.

2.2. A Ceia do Senhor

O Mestre instituiu esta ordenança ao celebrar a última Páscoa com os discípulos (Mt. 26: 26-30). Mandou que a cerimônia fosse repetida até a Sua volta, para memória dEle e do Seu sacrifício. Nas instruções paulinas sobre a Ceia, é confirmada a ordem do Mestre (1 Co. 11: 23-29).

A ordenança consistiu apenas do ato de Jesus Cristo tomar o pão, dar graças e distribuir aos discípulos, fazendo em seguida o mesmo com o cálice. Durante séculos, a igreja tem repetido o ritual, atendendo à ordenança do Senhor.

Embora a Ceia do Senhor tenha sido instituída em meio à festa da Páscoa, entre elas só se pode estabelecer semelhanças simbólicas. Podemos dizer que, na Ceia, celebramos a nossa libertação do mundo, como os judeus celebram a do Egito; do domínio de Satanás, como eles celebram o de Faraó; do juízo do destruidor, a morte, como eles celebram o livramento do anjo exterminador que por eles passou. E no deserto da vida em que vivemos presentemente, fazemos o que Deus determinou ao povo de Israel: “Este dia vos será por memorial, e o celebrareis como solenidade ao Senhor, nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo” (Ex. 12: 14).

Conclusão

 

Apesar da simplicidade, o Batismo e a Ceia, instituídos por Cristo, são monumentos de glória, em que podemos compreender a Sua maravilhosa obra a nosso favor, sofrendo o vitupério e a maldição da cruz. No Batismo, tipificamos a nossa morte com Cristo e a nova vida nEle. Ou ainda, o lavar purificador e regenerador do Espírito Santo em nossas vidas. Quanto a Ceia, em celebrá-la, não só obedecemos a ordem divina: “Fazei isto”, como também reafirmamos uma declaração de fé – fé no Cristo vivo, que está à destra de Deus e que há de vir. É, ainda mais, um ato santo em que reconhecemos a Sua presença, em espírito e em verdade, para conferir as Suas bênçãos aos que se aproximam da mesa com o propósito sincero de renovação da vida espiritual. É, finalmente, uma festa familiar daqueles que agora são parte do Seu Corpo místico (a igreja), membros uns dos outros, e O consideram como Cabeça da grande família da fé.


As lições desta série foram publicadas primeiramente em 1966 e republicadas em 1986 pelo Departamento de Educação da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil como parte da revista de escola bíblica dominical. Todos os direitos são reservados à UIECB (União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil).

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