Artigo 25 – O batismo cristão


Textos para estudo: Atos 2: 37-47.

 

Texto áureo: Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt. 28: 19).

 

Leituras diárias:

Seg. – Atos 2: 37-47;

Ter. – Mateus 28: 18-20;

Qua. – Mateus 3: 1-17;

Qui. – 1 Coríntios 12: 12-20;

Sex. – Atos 2: 14-21;

Sab. – Tito 3: 1-11;

Dom. – Joel 2: 28, 29; João 3: 1-6.

 

Objetivos da lição:

  1. Analisar o Artigo 25 da breve exposição;
  2. Esclarecer aos crentes o verdadeiro sentido do batismo cristão.

 

Artigo 25: “O batismo com água foi ordenado por nosso Senhor Jesus Cristo como figura do batismo verdadeiro e eficaz, feito pelo Salvador, quando envio o Espirito Santo para regenerar o pecador. Pela recepção do batismo com água a pessoa declara que aceita os termos do pacto em que Deus assegura aos crentes as bênçãos da salvação”.

 

No Artigo 24 encontramos a afirmação sobre os dois ritos cristãos ou ordenanças: o batismo e a ceia do Senhor. O Artigo que ora consideramos diz respeito ao simbolismo, à forma e à importância do batismo c o m água para o crente e a Igreja.

1. O simbolismo do batismo

 

No ato do batismo c o m água se faz a representação simbólica do batismo verdadeiro, que o próprio Jesus
opera – o batismo c o m o Espírito Santo – sobre os que nEle crêem. “Ele vos batizará c o m o Espírito Santo e com fogo”,
afirmou João Batista, estabelecendo a distinção entre o batismo espiritual e o batismo com água (Mt 3.11).

1.1. O batismo verdadeiro e eficaz

O batismo com o Espírito, como vimos nos comentários dos Artigos 17 e 18, é a experiência de todo o crente em Cristo Jesus. Mediante este batismo, todos os que crêem são tornados um e um Cristo, feitos participantes do Seu corpo. O que une os crentes não é um batismo ritual, mas o batismo espiritual. É por ele que o Espírito promove a regeneração do pecador (Jo. 3: 5, 6) e a sua união com Cristo; por ele o homem é verdadeiramente salvo do pecado e tornado membro da família de Deus; por ele se torna participante da nova criação em Cristo: a igreja dos remidos.

O batismo ritual da água é o testemunho visível e obediente dessa graça invisível ou espiritual que o convertido recebeu e pelo qual, diante dos homens, marca o seu ingresso na igreja histórica ou formal. Um, pois, precede o outro. O batismo com o Espírito vem antes do batismo com água; sem aquele, este não tem nenhum significado.

Mediante o batismo verdadeiro, o cristão é unido a Cristo, para formar o Seu corpo, a igreja (1 Co. 12: 13). Não há como pertencer a Cristo sem ser batizado com o Espírito, pois “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm. 8: 9). Nisto está a eficácia do batismo com o Espírito, que é feito pelo Salvador quando envia o Espírito Santo para regenerar o pecador. O batismo com água representa, pois, o ato batismal do próprio Cristo, que faz vir sobre o homem o Espírito.

1.2. O batismo co m fogo – Mt. 3: 11, 12

Por outro lado, o homem afastado de Cristo e destinado à morte eterna recebe o “batismo com fogo” (Mt. 3: 11). Se o batismo com água é símbolo da regeneração efetuada pelo Espírito naqueles que em Cristo crêem, o batismo com fogo é a experiência daqueles que se mantém na incredulidade. Tais são comparados à “palha” que o Senhor queimará em “fogo inextinguível” (Mt. 3: 12). É bom entender que João Batista tinha como ouvintes os que “eram por ele batizados…” e “muitos fariseus e saduceus” (Mt. 3: 6, 7). É a esse segundo grupo que ele adverte quanto ao batismo com fogo. No Evangelho de Jesus Cristo se alinham a salvação e a perdição, libertação e condenação.

O batismo c o m fogo, pois, está associado a julgamento dos ímpios. O que pode ser entendido também à luz das analogias do “machado” e da “pá”.

O julgamento pertence à salvação como a cirurgia pertence à terapia. O julgamento pertence essencialmente ao evangelho, E boas novas o fato de que Deus é contra o que é falso e errado, da mesma forma como é boas-novas o fato de que ele vem ao mundo para nos dar o direito a vitória sobre o erro. A mensagem de João parece ser pesada do lado do julgamento, e apenas em Jesus verifica-se o equilíbrio entre juízo e salvação plenamente atingido.

2. A forma e o significado do batismo

 

Se o batismo com água simboliza a lavagem ou a purificação da alma, e tem conexão com o dom do Espírito, recebido pelo crente ao crer em Cristo, é preciso encontrar o fundamento deste simbolismo nas páginas das Escrituras e a conexão que, consequentemente, se estabelece.

2.1. 0 derramamento do Espírito

Em Joel 2: 28, 29, onde está contida a promessa do Pentecostes, duas vezes se encontra a expressão “derramarei do meu Espírito”. Nas outras profecias sobre a descida do Espírito Santo, lemos, igualmente: “derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade” (Is. 44: 3); “nem esconderei mais a minha face deles, quando eu houver derramado o meu Espirito” (Ez. 39: 29).

Quando Pedro pregou, no dia de Pentecostes, mencionou que a profecia de Joel se cumpria naquele momento. Deus estava derramando o Espírito (At. 2: 16-21). Depois, voltando a se referir à exaltação de Cristo, declarou que o Senhor, “tendo recebido a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ou vis” (At. 2: 33). No ensinamento a Tito, o apóstolo Paulo disse que a regeneração se deu “mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente” (Tt. 3: 5, 6).

2.2. A purificação pela aspersão

A purificação era um ato costumeiro dos judeus, que a praticavam como símbolo da limpeza de toda a impureza moral (Is. 1: 16). Foi ordenada ao povo e m geral, como condição para adentrar o tabernáculo do Senhor (Lv. 15: 31). Os sacerdotes e levitas eram obrigados a passarem pelo ato, como parte de sua consagração ao ofício (Ex. 29: 4; 40: 12; Lv. 8: 6; 16: 4). Entre a tenda e o altar havia a bacia de bronze, com a água que os sacerdotes aspergiam sobre suas mãos e pés. Participavam de uma “lavagem consagratória”, símbolo da regeneração do crente (Tt. 3: 5; Jo. 3: 5, 6).

A cerimônia da purificação se dava pela aspersão e não pela imersão. Uma água purificadora deveria ser aspergida sobre o homem impuro (Nm. 19: 18-20). Sobre os levitas era aspergida a água da purificação, a fim de que fossem consagrados (Nm. 8: 5-7). Também o sangue era espargido sobre os sacerdotes e sobre o povo, como símbolo da purificação e do conserto estabelecido pelo Senhor (Ex. 24: 8; 29: 21). Do mesmo modo se aspergia o azeite da unção para santificar ou purificar (Lv. 8: 30; 14: 16, 27).

3. O valor do batismo com água

 

Em termos práticos, o batismo simbólico marca o ingresso do crente na igreja local. Subentende-se que, ao ser batizado com água, ele já tenha passado pela experiência de receber o batismo com o Espírito Santo.

A recepção do batismo com água inclui uma declaração de que o convertido “aceita os termos do pacto em que Deus assegura aos crentes a bênção da salvação”. As bênçãos da salvação são inúmeras, mas podem ser destacadas e estarem todas incluídas nas seguintes:

a) A redenção ou a remissão dos pecados pelo sangue de Cristo – Ao ser batizado, mesmo que não expresse verbalmente, o cristão reconhece que Deus cumpre o pacto da graça, redimindo-o mediante o sacrifício vicário de Cristo (1 Pe. 1: 18, 19).

b) A regeneração pelo Espírito Santo de Deus – O crente experimenta um “nascer de novo” instantâneo, efetuado pelo Espírito em seu interior. A disposição moral e espiritual da alma é renovada radicalmente (Jo. 3: 3-5). No batismo com água o crente declara que experimentou a regeneração, tornando-se nova criatura (2 Co. 5: 17).

c) A adoção, o direito de ser filho de Deus – É a bênção que se constitui em uma nova relação com Deus. Representa o método divino para introduzir filhos em Sua família (Rm. 8: 15, 21; Gl. 4: 5, 5). Quando o homem crê em Cristo, é imediatamente admitido na família de Deus (Jo. 1: 12) e, ao ser batizado com água, reconhece publicamente desfrutar do privilégio da adoção.

d) A ressurreição para a vida eterna – É assegurado aos crentes que ressuscitarão dentre os mortos, assim como Cristo ressuscitou (Cl. 3: 1; 1 Co. 15: 20-22). Quando batizado, esta bênção é declarada como experiência certa, porque o Senhor a prometeu (Jo. 6: 40; 2 Co. 4: 14).

Conclusão

 

O cristianismo não é uma religião ritualística. A Escritura Sagrada não atribui poder ou afirma que o batismo cristão tem poder para salvar ou ajuda na obra que Cristo fez na cruz. Contudo, o Senhor deixou-nos como ordenança. Desta forma devemos cumpri-lo como símbolo de algo que já aconteceu, materialização do evento espiritual já consumado e a exteriorização da promessa interiormente cumprida.


As lições desta série foram publicadas primeiramente em 1966 e republicadas em 1986 pelo Departamento de Educação da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil como parte da revista de escola bíblica dominical. Todos os direitos são reservados à UIECB (União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil).

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