Artigo 26 – A ceia do Senhor


Textos para estudo: Mateus 26: 26-30; 1 Coríntios 11: 23-32

 

Texto áureo: “Por isso, O Pai me ama, porque eu dou a minfia vida para reassumi-ia. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para entregá-la e também para reavê-la Este mandato recebi de meu Pai (Jo. 10: 17, 18).

 

Leituras diárias:

Seg. – 1 Coríntios 10: 14-20;

Ter. – 1 Coríntios 11: 17-25;

Qua. – 1 Coríntios 11: 26-34;

Qui. – Mateus 26: 26-30;

Sex. – Marcos 14: 22-26;

Sab. – Lucas 22: 14-18;

Dom. – Lucas 22: 19-23.

 

Objetivos da lição:

  1. Analisar o Artigo 26 da breve exposição;
  2. Estabelecer o relacionamento entre a páscoa e a ceia do Senhor;
  3. Esclarecer aos crentes o verdadeiro sentido da ceia

 

Artigo 26: “Na Ceia do Senhor como foi instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo, o pão e o vinho representam vivamente ao coração do crente, o corpo que foi morto e o sangue que foi derramado no Calvário. E participar do pão e do vinho representa o fato de que a alma recebeu seu Salvador. O crente faz isto em memória do Senhor, mas é da sua obrigação examinar-se primeiro, fielmente, quanto à sua fé, seu amor e seu procedimento”.

Já consideramos que a Ceia do Senhor é um dos dois ritos cristãos, no Artigo 24. No Artigo 25 essa verdade se confirma, são mencionados os elementos do rito e também é indicada a atitude do fiei ao participar desta segunda ordenança do Senhor Jesus.

1. Os nomes da ordenança

 

Diversos nomes são dados à ordenança ora em consideração, todos derivados das Escrituras. Trata-se de uma “ordenança” porque, assim como o batismo, é um ato determinado por ordem do Senhor Jesus Cristo.

 

1.1. Ceia do Senhor

 

Deriva de 1 Coríntios 11: 20, onde o apóstolo Paulo estabelece a distinção entre esta cerimonia e as “festas do amor”, que os coríntios associavam com ela, e nas quais cometiam abusos, reprovados pelo apóstolo. Como o nome indica, a Ceia é do Senhor. Ele é o anfitrião, e os participantes da Ceia recebem dEle a provisão. “Ceia” deriva de uma palavra latina que significa banquete, uma refeição lauta. Embora se coma apenas um pedaço do pão e se beba um cálice de vinho, a nutrição espiritual que o Senhor promove é real e um verdadeiro banquete.

1.2. Santa ceia

 

Não é uma expressão bíblica, embora largamente usada. Contudo é legítima, porque trata-se de um ato” santo”, tendo os elementos consagrados ao Senhor, mediante a ação de graças que precede à distribuição (Mt. 26: 26; 1 Co. 10: 16; 11: 24).

 

1.3. Comunhão

 

Nome proveniente de 1 Coríntios 10: 16, É comunhão (koinonia) porque os cristãos comungam ou participam juntos do ato, e porque os elementos simbólicos da Ceia ajudam a discernir O sacrifício de Cristo, no qual os comungantes encontram satisfação comum, na “solução cabal e definitiva do problema de nossos pecados”.

 

1.4. O partir do pão

 

Aparece em Atos 2: 42 e 20: 7. Embora seja uma expressão que, com toda a probabilidade, não se refere exclusivamente à Ceia do Senhor, mas também às festas do amor, certamente inclui também a Ceia do Senhor. Era um nome usado nos tempos apostólicos, por causa da fragmentação do pão asmo em pequenos pedaços, quando o Senhor instituiu a ordenança (Mt. 26: 26; Mc. 14: 22; Lc. 22: 19; 1 Co. 11: 23, 24).

1.5. Eucaristia

 

Este nome raramente se usa entre os evangélicos atuais. A palavra significa “ação de graças”, e lembra o ato de Jesus dando graças pelos elementos antes de distribuí-los aos discípulos (Mt. 26: 26; 1 Co. 11: 24). Lembra o dever de sermos profundamente agradecidos a Deus, de modo especial durante o ato, pelo sacrifício de Seu Filho Unigênito.

2. O simbolismo da ceia do Senhor

 

Este rito recorda a paixão e a morte de Cristo, Na hora que nos reunimos em torno da Mesa do Senhor, é como se víssemos diante de nos a cruz do Calvário, e Jesus nela sendo crucificado, em nosso lugar. Os elementos da Ceia, o pão e o vinho, têm cada um a sua significação:

A significação do pão: O pão representa “vivamente, ao coração do crente, o corpo que foi morto”. Dizemos que a Ceia é uma representação dramática do sacrifício de Cristo por nós. Quando comemos o pão, recordamo-nos da entrega vicária do corpo de Jesus Cristo. É um ato que fazemos “em memória” dEle (1 Co. 11: 24).

A significação do vinho: O vinho representa “vivamente, ao coração do crente, o sangue que foi derramado no Calvário”. Ao tomarmos o cálice, simbolizamos, com o gesto, o derramamento do sangue do Cordeiro Santo, em sacrifício por nós. Nós o bebemos “em memória” de Cristo (1 Co. 11: 26), tornando-nos espiritualmente participantes comuns do derramamento do precioso sangue para a nossa purificação.

Assim, de acordo com 1 Coríntios 10: 16, o ato da Ceia nos permite a comunhão espiritual do sangue e do corpo de Cristo, expressada na celebração comunitária.

Posições quanto à significação dos elementos. Dá-se três significados aos elementos da Ceia do Senhor, usados no ritual da ordenança:

Memorial – “A presença simbólica e espiritual de Cristo” – De modo geral, as igrejas evangélicas anunciam que os elementos da Ceia o pão e o vinho simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, e que Ele está espiritualmente presente de modo especial quando os cristãos se reúnem em torno da Sua mesa. Não há neles nenhum valor místico.

Transubstanciação – É o ensino da Igreja Católica Apostólica Romana, assumido desde o século IX. Entende-se que durante a missa, quando o padre repete a expressão “isto é o meu corpo”, o pão (a hóstia) e o vinho transformam-se literalmente em corpo e sangue de Cristo. Dão, por conseguinte, uma interpretação literal à expressão “isto é o meu corpo” (1 Co. 11: 24).

Consusbstanciação – Foi o ensino da Igreja Luterana. Rejeitando a doutrina católica, Lutero passou a ensinar que o corpo físico do Cristo está verdadeiramente presente em, com e sob a Ceia do Senhor, do mesmo modo que a água está presente em uma esponja.

3. A atitude do cristão na ceia

 

3.1. Quem deve participar da ceia do Senhor? Quais são os participantes idôneos desta ordenança?

 

Deve participar da Ceia somente o cristão, isto é; aquele que creu em Jesus Cristo e já O confessou como Senhor e Salvador mediante o batismo. O Artigo diz que participar da Ceia do Senhor “representa o fato de que a alma recebeu seu Salvador”. Logo, apenas os que creem em Cristo podem ser comungantes.

Entretanto, os evangélicos concordam, geralmente, que só devem participar da Ceia os cristãos que creram em Jesus Cristo e já O confessaram como Senhor e Salvador mediante o batismo. A argumentação a favor de que só o crente batizado deva participar da Ceia fundamenta-se no fato de que o batismo é nitidamente um símbolo do início da vida cristã, enquanto a Ceia do Senhor é claramente um símbolo da permanência na vida cristã. Supondo que a realidade espiritual representada no primeiro rito precede a simbolizada no segundo, seria natural e de bom alvitre que, a não ser em casos excepcionais, somente os batizados participem da Ceia do Senhor. Não se trata de um procedimento discriminatório, mas de zelo pela importância do ato e observância do conselho bíblico (1 Co. 11: 28, 29).

3.2. A necessidade do auto-exame

 

Para não participar indignamente (1 Co. 11: 27) – Deve-se eliminar qualquer sentimento ou disposição da alma que seja indigna, para evitar tornar-se “réu” da morte de Cristo: colocar-se do lado dos que condenaram Cristo, ao invés de do lado dos que desfrutam do benefício da Sua morte.

Para aprender a discernir o corpo (1 Co. 11: 29) – Participar da Ceia “sem discernir o corpo” significa sem entender a unidade e a interdependência das pessoas na igreja, que é o corpo de Cristo. Os crentes precisam dar a devida importância à igreja como organismo, e reconhecer a presença especial do Senhor no meio da congregação em culto, Faltava aos irmãos de Corinto a compreensão correta quanto à verdadeira natureza da Igreja como corpo.

Para não sofrer o juízo (1 Co. 11: 29, 30) – O juízo são as consequências da participação indigna, ou a disciplina do Pai sobre o participante que não está espiritualmente idôneo, a fim de preservar a pureza da mesa do Senhor. Todo o pecado ou erro recebe julgamento. Quando não nos julgamos a nós mesmos, para nos humilharmos diante de Deus, reconhecendo e confessando os nossos pecados, corremos o risco de sermos julgados por outros (1 Co. 11: 31) e por Deus, sendo por Ele condenados (1 Co. 11: 32).

Conclusão

 

Antes, portanto, de “sentar-se à mesa do Senhor”, o crente deve examinar-se fielmente a si mesmo. Se, mediante o seu auto-exame, constatar sua firmeza na fé, o bom desempenho do amor aos irmãos e que em nada o acusa a consciência, então está em condições de comer o pão e beber o cálice. Caso contrário, ou procura atender à condição exigida, confessando seus pecados e restabelecendo a comunhão (1 Jo. 1: 9), ou é melhor não participar da Ceia, pois, se o fizer, tornar-se-é “réu do corpo e do sangue do Senhor”, ficando sujeito ao Seu juízo.


As lições desta série foram publicadas primeiramente em 1966 e republicadas em 1986 pelo Departamento de Educação da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil como parte da revista de escola bíblica dominical. Todos os direitos são reservados à UIECB (União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil).

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