Artigo 27 – A segunda vinda do Senhor


Textos para estudo: Atos 1: 6-11; Mateus 24: 29-31.

 

Texto áureo: E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também (Jo. 14: 13).

 

Leituras diárias:

Seg. – Atos 1: 6-11;

Ter. – Mateus 16: 24-28;

Qua. – Mateus 24: 29-31;

Qui. – Mateus 25: 31-39;

Sex. – Mateus 25: 40-46;

Sab. – 1 Tessalonicenses 4: 13 – 5: 3;

Dom. – 1 Coríntios 15: 35-49.

 

Objetivos da lição:

  1. Analisar o Artigo 27 da breve exposição;
  2. Analisar as consequências da segunda vinda do Senhor.

 

Artigo 27: “Nosso Senhor Jesus Cristo virá do céu como homem, em Sua própria glória e na glória de Seu Pai, com todos os santos e anjos: assentar-se-á no trono da Sua glória e julgará todas as nações”.

A doutrina da volta de Cristo ocupa mais espaço do que qualquer outra no Novo Testamento: há 315 referências a ela em seus 263 capítulos. Isso nos dá a ideia de sua importância. Vamos considerar, neste comentário, apenas as implicações da doutrina referidas no Artigo 27.

1. O Senhor voltará como homem

 

Tanto quanto se cumpriram as promessas relacionadas à vinda de Jesus, temos confiança de que terão cumprimento as promessas da Sua volta.

1.1 A certeza da volta do Senhor

A volta do Senhor Jesus constitui a bendita esperança do crente (Tt. 2: 13). Não crer nela é desfigurar o ensino bíblico e, ao mesmo tempo, arrancar do coração fiel o consolo que a doutrina representa. A convicção acerca da segunda vinda de Jesus tem a seguinte base:

Ele prometeu – Jesus disse claramente aos discípulos, na noite em que foi traído: “E quando eu for, e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo…”, e mais: “Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros” (Jo. 14: 3, 18). Aos adversários, no dia seguinte, perante o sumo sacerdote, afirmou: “… desde agora vereis o Filho do homem assentado à destra do Todo poderoso, e vindo sobre as nuvens do céu” (Mt. 26: 64).

Os anjos proclamaram a Sua volta – No dia da ascensão, repetindo a promessa que Ele fizera anteriormente: “… Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu, assim virá do modo como o vistes subir” (At. 1: 11), Os apóstolos ensinaram a doutrina – Pedro renova a profecia em seu discurso no dia de Pentecostes, dizendo: “…e que envie ele o Cristo, que já vos foi designado, Jesus, o qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas…” (At. 3: 20, 21).

A pregação e as cartas de Paulo mencionam fartamente essa doutrina. Os coríntios são apresentados como uma igreja aguardando a volta do Senhor Jesus (1 Co. 1: 7). Lembra aos filipenses que “a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp. 3: 20). Aos tessalonicenses revela detalhes dos acontecimentos relacionados ao regresso do Senhor (1 Ts. 4: 13- 5: 3; 2 Ts. 2: 1-12).

1.2. A surpresa da volta do Senhor

Quando virá o Senhor? O próprio Jesus responde a essa pergunta, dizendo: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai” (Mt. 24: 36). Em 1 Ts. 5: 2, Paulo usa a figura “como ladrão de noite”, isto é, de repente, sem que saibamos a hora que vem, sem nenhum aviso prévio. Em 1 Co. 15: 52, emprega a expressão “num momento, num abrir e fechar de olhos”, para indicar o fator surpresa da volta do Senhor.

Falham, portanto, todos os cálculos para se determinarem os “tempos ou épocas que o Pai reservou para Sua exclusiva autoridade” Simplesmente, não sabemos a que hora Ele vem, O Senhor virá repentinamente.

1.3 O Senhor virá pessoalmente

As Escrituras enfatizam que a volta de Jesus Cristo será pessoal. Ele virá do céu como homem. Jesus mesmo, voltando do céu em pessoa. Não se pode entender de outra maneira a fraseologia de João 14: 3; “E quando eu for, e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também”. Jesus anunciou que Aquele que iria, era o mesmo que haveria de vir.

O anjo é ainda mais explícito em Atos 1: 11: “Esse Jesus que dentre vós foi assunto aos céus”. E continua dizendo: “… assim virá do modo como o vistes subir”. O anjo não somente identifica Quem foi e Aquele que há de vir, mas afirma que da mesma maneira voltará.

O Senhor voltará visivelmente. Esta verdade relaciona-se à anterior. Se Cristo voltará corporalmente, certamente será visível a Sua volta. O próprio texto de Atos 1: 11 já nos assegura que Ele será visto quando voltar: “… assim virá do modo como o vistes subir”. Jesus declarou que “todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem… ” (Mt. 24: 30). João afirma que “todo olho o verá, até quantos o traspassaram” (Ap. 1: 7). Estão errados, portanto, todos os que afirmam que o Senhor já voltou invisivelmente.

Devemos rejeitar e rebater qualquer afirmação sobre a volta de Cristo que contrarie os ensinamentos bíblicos. Jesus ainda não voltou; voltará. Quando regressar, Sua volta será visível e pessoal.

2. O Senhor voltará em sua própria glória

 

A segunda vinda de Jesus Cristo será gloriosa e triunfante. Ele não voltará no corpo de Sua humilhação, do modo quando encarnou e veio habitar entre os homens (Fp. 2: 6-8) nem para tratar da questão do pecado (Hb. 9: 28), mas virá na glória que conquistou mediante a obra de redenção, através da qual venceu o pecado, a morte e Satanás.

Jesus regressará com o Seu corpo transformado, como o de todos os santos na ressurreição final: corpo incorrupto, glorioso, poderoso, espiritual e celeste (1 Co. 15: 35-49). Voltará majestosamente, envolto em nuvens (Mt. 24: 30; Ap. 1: 7), e os anjos serão a sua escolta (Mt. 16: 27; 25: 31; 2 Ts. 1: 7; Ap. 19: 14). Os santos também farão parte do Seu glorioso cortejo (1 Ts. 3: 13). Ele descerá como o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, triunfante sobre todas as forças do mal (Ap. 19: 11-16).

3. O Senhor voltará na glória do Pai

 

A volta de Cristo consuma o plano do Pai. Assim, como a glória paterna acompanhou o Filho na teria, O acompanhará na Sua volta. A glória do Pai é aquela que Ele mesmo concedeu ao Filho, e que Este manifestou aos homens (Jo. 17: 5).

Em Mateus 16: 27, entretanto, esta glória se refere de modo especial a atribuição de julgar, porque Ele “há de vir … e então retribuirá a cada um conforme as suas obras”. O Filho está totalmente identificado com o homem, através da encarnação, e é capaz de efetuar o julgamento com propriedade. Ao mesmo tempo, participa da vida do Pai, e por isso recebeu dEle a autoridade para ser Juiz. Deus confiou a Jesus todo o julgamento (Jo. 5: 22, 27).

4. O Senhor voltará com os santos

 

O Senhor voltará “com todos os santos” é Zacarias 14: 5. O seu contexto contém a descrição de uma batalha. Jerusalém seria tomada e os despojos divididos. Quando os exércitos das nações inimigas parecessem invencíveis, então o Senhor interviria e faria surgir um vale, através do qual poderiam fugir os sobreviventes. Depois viria “o Senhor meu Deus, e todos os santos com ele”.

Quem são os santos? Não devem ser os exércitos celestiais. É possível deduzir que serão os crentes já ressuscitados, somados aos transformados, tendo sido depois arrebatados (1 Ts. 3: 13; 4: 17). Estes farão parte do cortejo triunfal de Cristo na Sua volta.

Se os santos voltarão com Cristo, é porque certamente já se encontraram com Ele. Essa dedução favorece a doutrina do arrebatamento ou rapto da igreja em duas etapas com creem os premilenistas.

5. O Senhor voltará para julgar

 

Um dos acontecimentos relacionados à segunda vinda de Cristo é o julgamento das nações (Mt. 25: 31, 32). A expressão “assentar-se-á com o Senhor Jesus Cristo no trono de sua glória e julgará todas as nações”.

Do ponto de vista premilenista, esse julgamento precede o estabelecimento do Reino Milenar de Cristo na terra. Sua base é o tratamento conferido pelas nações aos irmãos de Jesus. Parece ser, portanto, o julgamento do trato dispensado ao remanescente judaico por parte de determinadas nações, por ocasião do período da grande tribulação (Mt. 25: 31-45; Jl. 3: 2). Nesta ocasião, o Senhor será reconhecido como Rei. Ser-lhe-á dado o trono de Davi, e Ele reinará para sempre, encerrando a dinastia davídica, cumprindo-se a promessa feita ao rei (Lc. 1: 32, 33, Is. 9: 7).

Segundo o premilenismo, a igreja não passará pela grande tribulação e não estará mais na terra quando o anticristo começar a reinar.

O premilenismo encontra algumas dificuldades:

Não há qualquer base bíblica para a afirmação de que a volta de Cristo se dará em duas etapas;

Textos bíblicos afirmam que a igreja estará aqui na grande tribulação e verá o reino do anticristo (Mt. 24: 15-28; e 2 Ts. 2: 1-6);

Cristo reinando na terra (no milênio) em meio a homens não transformados e não regenerados parece inimaginável; e

Deus teria dois povos: a igreja (noiva de Cristo) e a nação de Israel. Isto contraria o que está escrito em Romanos 2: 25-29; 9: 6 e Gálatas 3: 7, 8, 28.

Do ponto de vista amilenista as nações é uma referência simbólica a todas as pessoas humanas, como em Mateus 28: 19, Assim, para os amilenistas a volta de Cristo se dará em uma só etapa; julgamento será um só, de todos os homens; e ocorrerá em um único momento, no dia do juízo final (Ap. 20: 11-15).

Os amilenistas afirmam que as profecias referentes a Israel como nação se cumprirão na igreja. Segundo esta interpretação escatológica a igreja é o verdadeiro Israel do Senhor (Rm. 2: 28, 29; Gl. 3: 7). O amilenismo afirma ainda, que, a primeira ressurreição (Ap. 20: 6) refere-se a ressurreição espiritual do ato da conversão (Jo. 3: 3, 6; 2 Co. 5: 17; Cl. 3: 1).

A amilenismo interpreta o reino milenar de Cristo espiritualmente “Jesus Cristo reina hoje”. Afirmam ainda, que a igreja passará pela grande tribulação de acordo com Mateus 24: 15-28 e verá o reino do anticristo (2 Ts. 2: 1-6).

A principal dificuldade do amilenismo está no fato de não contemplar qualquer promessa para Israel como nação. Este fato ocorre por que os amilenistas interpretam que a igreja é “o Israel de Deus”, portanto, nela se cumprirão todas as promessas.


As lições desta série foram publicadas primeiramente em 1966 e republicadas em 1986 pelo Departamento de Educação da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil como parte da revista de escola bíblica dominical. Todos os direitos são reservados à UIECB (União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil).

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